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	<title>Magick &#8211; Oásis Quetzalcoatl</title>
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		<title>A Dialética da Receptividade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frater Hrw]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 21:48:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Passividade, Individuação e União dos Opostos na Práxis Thelêmica Abstract Este estudo refuta a interpretação reducionista de Thelema como uma filosofia de hedonismo ou imposição tirânica do ego, propondo em seu lugar uma &#8220;dialética da receptividade&#8221;. Argumenta-se que a eficácia da Verdadeira Vontade depende intrinsecamente do equilíbrio entre a força projetiva (Baqueta) e a receptividade... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/a-dialetica-da-receptividade/">Leia mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading">Passividade, Individuação e União dos Opostos na Práxis Thelêmica</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Abstract</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo refuta a interpretação reducionista de Thelema como uma filosofia de hedonismo ou imposição tirânica do ego, propondo em seu lugar uma &#8220;dialética da receptividade&#8221;. Argumenta-se que a eficácia da Verdadeira Vontade depende intrinsecamente do equilíbrio entre a força projetiva (Baqueta) e a receptividade estratégica (Cálice), visando não a conquista unilateral, mas a união do microcosmo com o macrocosmo. Através de uma análise comparativa que integra a simbologia da Missa Gnóstica — com ênfase na primazia ontológica da Sacerdotisa — à psicologia da individuação de Jung e ao idealismo alemão, demonstra-se que a passividade constitui um poder magnético essencial para a realização da Grande Obra. A conclusão estabelece que a maturidade na práxis thelêmica exige a dissolução das fronteiras do ego e a integração ética e mística com o &#8220;Não<em>–</em>Eu&#8221;, validando a fórmula de &#8220;Amor sob Vontade&#8221; como um mecanismo técnico de união e não de isolamento.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Palavras-Chave</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Thelema; Verdadeira Vontade; Passividade Mágicka; Individuação; Missa Gnóstica; Não-Eu; União dos Opostos; Dialética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faze o que tu queres será o todo da Lei.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Introdução</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo das novas religiões e do esoterismo ocidental, o sistema de Thelema, fundado pelo ocultista britânico Aleister Crowley no início do século XX ev, é frequentemente alvo de interpretações superficiais e reducionistas. O axioma central, “<em>Faze o que tu queres será o todo da Lei</em>” {Liber AL vel Legis, o Livro da Lei, Cap. I, vers. 40], é comumente confundido com uma licença para o hedonismo desenfreado ou para a imposição tirânica do ego sobre o ambiente. Tal interpretação, embora disseminada na cultura popular e mesmo em certos círculos acadêmicos, revela uma compreensão fundamentalmente equivocada da teologia e da prática ritualística (ou <em>Magick</em>) de Thelema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise mais rigorosa e hermeneuticamente responsável da filosofia thelêmica revela que a <em>Vontade</em> (<em>Thelema</em> em grego) não opera no vácuo, nem se configura como mera imposição solipsista do desejo individual. Para que a Verdadeira Vontade seja efetiva e se manifeste em sua plenitude cósmica, ela exige uma contraparte essencial e indispensável: a <em>receptividade</em>, a <em>passividade estratégica</em> e a capacidade de <em>união</em> com o <em>Não–Eu</em>. Este artigo busca explorar, de forma sistemática e aprofundada, como a passividade (simbolizada ritualisticamente pelo Cálice e pela Sacerdotisa) é tão fundamental quanto a atividade da Baqueta na realização da Grande Obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É imperativo estabelecer, desde o princípio, que <strong>a compreensão de Thelema como uma filosofia de imposição unilateral da vontade individual sobre o mundo constitui uma interpretação fundamentalmente imatura e errônea</strong>, frequentemente adotada por aqueles que permanecem nos estágios preliminares da práxis ou que se aproximam do sistema com preconceitos externos. O objetivo final de Thelema não é a conquista tirânica do ambiente pelo ego inflado, mas precisamente o oposto: a <em><strong>união extática do eu com o não</strong></em><em><strong>–</strong></em><em><strong>eu</strong></em>, ou, em termos herméticos tradicionais, a <em><strong>conjunção do microcosmo com o macrocosmo</strong></em> — que é, em essência, a realização da chamada Grande Obra. Qualquer interpretação que negligencie ou minimize este telos soteriológico reduz Thelema a uma caricatura grosseira de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Argumentaremos que Thelema não se apresenta como uma filosofia de individualismo egoico, mas sim como um complexo sistema de <em>individuação</em> no sentido proposto por Carl Gustav Jung e de união mística entre o sujeito e o objeto, entre o <em>Eu</em> e o <em>Não–Eu</em>. Para tanto, mobilizaremos não apenas as fontes primárias do corpus thelêmico (especialmente o <em>Liber AL vel Legis</em>, o <em>Liber CL vel לענ De Lege Libellum</em> e o <em>Liber Astarté vel Berylli</em>), mas também estabeleceremos diálogos com tradições filosóficas orientais (Budismo Clássico) e ocidentais (idealismo alemão de Schelling e Hegel, empirismo de Hume e existencialismo de Sartre).</p>



<h2 class="wp-block-heading">1. Baqueta e Cálice como Complementares Dialéticos</h2>



<h3 class="wp-block-heading">1.1. A Simbologia Hermética das Armas Elementais</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Na simbologia thelêmica, derivada em parte da tradição da Hermetic Order of the Golden Dawn e da Cabala Hermética, a <strong>Baqueta</strong> (ou Bastão, <em>Wand</em>) representa a Vontade projetiva, a força ativa e o princípio masculino ou Yang. Tradicionalmente associada ao elemento Fogo e à letra hebraica <em>Yod</em> (י), a Baqueta é a ferramenta mágica da imposição, da direção consciente da energia e da transformação ativa do ambiente. Em termos psicológicos, ela simboliza a capacidade do ego de estabelecer objetivos, planejar e executar ações deliberadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, tanto Crowley quanto seus exegetas mais rigorosos enfatizam que a Magia não é apenas projeção unidirecional. A contraparte indispensável é o <strong>Cálice</strong> (ou Taça, <em>Cup</em>), que representa o <em>Entendimento</em> (<em>Binah</em> na Árvore da Vida cabalística), a receptividade, o princípio feminino ou Yin e o elemento Água, associado à letra hebraica <em>Heh</em> (ה). Se a Baqueta é a capacidade de fazer, o Cálice é a capacidade de receber, conter, nutrir e dar forma. Psicologicamente, representa a abertura à experiência, a empatia, a capacidade de escuta profunda e a receptividade ao inconsciente.</p>



<h3 class="wp-block-heading">1.2. A Esterilidade da Vontade Isolada</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho mágico não ocorre pela mera imposição da vontade do magista sobre o universo; isto é, pelo uso isolado da Baqueta. Tal abordagem resultaria em dispersão de energia, frustração e, em última análise, fracasso mágicko. Ele exige que o magista se torne um <em>receptáculo capaz</em> de conter e nutrir as forças universais. A eficácia mágica depende da criação de um vácuo psíquico e espiritual que <em>atrai</em> as energias necessárias, em vez de tentar forçá–las.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Sinal de Puella</strong> (o sinal da <em>Menina</em> ou da donzela), utilizado em rituais como o <em>Liber Reguli</em>, exemplifica essa atitude de abertura e receptividade passiva. Neste gesto ritual, o praticante se posiciona com as mãos em concha, formando um triângulo invertido sobre o peito e a genitália (replicando a imagem central no quadro <em>O Nascimento de Vênus</em>, do pintor renascentista Sandro Botticelli), simbolizando o útero cósmico ou o Cálice que aguarda o influxo divino. O magista se coloca não como o emissor primário, mas como o recipiente sagrado que aguarda ser preenchido pela energia divina. Esta postura corporal e mental é essencial em diversas operações mágicas, especialmente nas invocações de forças planetárias ou divindades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem o Cálice para receber e dar forma, a energia da Baqueta dispersa–se no vácuo; sem a receptividade, a Vontade torna–se estéril e improdutiva. Esta é uma lei fundamental da termodinâmica espiritual: a energia precisa de um recipiente para se condensar e manifestar. Como observa Dion Fortune em sua obra <em>Magia Aplicada</em>, citada frequentemente em contextos thelêmicos: <em>“O ocultista não tenta dominar a Natureza, mas sim entrar em harmonia com essas grandes Forças Cósmicas e trabalhar com elas.”</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">2. A Sacerdotisa e a Missa Gnóstica</h2>



<h3 class="wp-block-heading">2.1. Estrutura e Simbolismo da Missa Gnóstica</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A importância teológica da passividade é dramatizada de forma explícita no ritual central da Ordo Templi Orientis (O.T.O.): a <em>Missa Gnóstica</em> (<em>Liber XV</em>). Diferentemente das liturgias patriarcais tradicionais do cristianismo, nas quais o divino é representado exclusivamente por figuras masculinas ativas (Deus Pai, Cristo) e o feminino é relegado a papéis de submissão passiva (a Virgem Maria como mera receptora), a Missa Gnóstica <strong>eleva a Sacerdotisa a um papel de preeminência ontológica e litúrgica</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Sacerdotisa representa uma pletora de divindades femininas, mas, para o contexto deste artigo, iremos focar em <em>Nuit</em>, a deusa do espaço infinito e das possibilidades ilimitadas, bem como a alma receptiva universal. Ela não é uma assistente passiva no sentido de submissão hierárquica, mas a <em>detentora de um poder primordial de atração, contenção e magnetismo espiritual</em>. No ritual, é a Sacerdotisa, através de sua passividade magnética e receptiva, que <em>desperta</em> o Sacerdote (que representa <em>Hadit</em>, o ponto infinitesimal de consciência) e o capacita para a realização do Sacramento da Missa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">2.2. A União como Sacramento</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O clímax do ritual, o momento de maior intensidade mística, dramática e simbólica, não é uma conquista solitária do Sacerdote, mas a <strong>consumação da união</strong> entre a Lança (símbolo da Vontade ativa e do princípio masculino) e o Cálice (símbolo da Receptividade e do princípio feminino), através da partícula (<em>semen</em>) do Bolo de Luz (também chamado Hóstia) que estava depositado sobre a Pátena (<em>ovulum in utero</em>). Esta união ritual representa e efetiva a <em>aniquilação da sensação de separação</em> entre sujeito e objeto, entre o eu e o cosmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proclamação litúrgica central da Missa (<em>“Não há parte de mim que não seja dos deuses</em>”) expressa precisamente esta dissolução das fronteiras do ego. O participante reconhece que sua identidade individual não é uma fortaleza isolada, mas uma manifestação transitória e porosa do divino. Esta percepção só é possível através da <strong>abertura radical ao Outro, ao Não–Eu</strong>, representado tanto pela divindade quanto pela comunidade de participantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a Missa Gnóstica demonstra liturgicamente que a eficácia espiritual em Thelema depende da capacidade de <strong>se abrir ao Outro</strong>, e não de dominá–lo através da imposição unilateral da vontade egoica. A passividade da Sacerdotisa não é fraqueza, mas <strong>poder magnético</strong>: o poder de atrair, conter e transformar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">3. Individuação versus Individualismo: O Diálogo com Jung</h2>



<h3 class="wp-block-heading">3.1. A Distinção Conceitual Fundamental</h3>



<p class="wp-block-paragraph">É crucial, para uma compreensão adequada de Thelema, distinguir o objetivo thelêmico do mero <em>individualismo egoico</em>, uma distinção que encontra paralelo notável na psicologia analítica de Carl Gustav Jung. Enquanto o individualismo moderno, tal como propagado pelo neoliberalismo e pela cultura do narcisismo, busca reforçar as fronteiras do ego e satisfazer desejos superficiais e condicionados socialmente, Thelema alinha–se mais proximamente ao conceito junguiano de <strong>Individuação</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung, a individuação é o processo psicológico de integração dos opostos — consciente e inconsciente, persona e sombra, <em>anima</em> e <em>animus</em> — para formar um <em>Self</em> total e integrado, qualitativamente distinto do ego fragmentado e defensivo. Este <em>Self</em> não é uma ampliação do ego, mas sua <strong>relativização</strong><strong> diante de uma totalidade maior </strong>que o engloba e transcende.</p>



<h3 class="wp-block-heading">3.2. A Verdadeira Vontade como Individuação</h3>



<p class="wp-block-paragraph">De forma análoga, em Thelema, a descoberta da <em>Verdadeira Vontade</em> exige que o praticante transcenda os desejos do ego condicionado e as construções sociais artificiais (a <em>falsa vontade</em>) para encontrar sua <em>órbita natural</em> no cosmos, seu propósito ontológico único e necessário. O <strong>ego inflado</strong>, aquele que se imagina como o centro absoluto do universo, isolado e auto–suficiente, é, na verdade, um <em>obstáculo</em> à Verdadeira Vontade, pois cria uma ilusão de separação do Todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho mágico e místico, portanto, envolve frequentemente a <em>dissolução</em> desse ego para permitir que a Vontade Universal flua através do indivíduo sem as distorções do egoísmo. Apenas através desta <em>morte mística do ego</em>, um ato supremo de passividade e entrega, representado na simbologia thelêmica pelo “derramar do Sangue dos Santos no Cálice de Babalon”, pode emergir o <em>Mestre do Templo</em>, cuja vontade individual tornou–se perfeitamente transparente à Vontade Cósmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos os sistemas — junguiano e thelêmico — o objetivo não é a extinção da individualidade (como em certas interpretações equivocadas do Budismo), nem sua hipertrofia egoica, mas sua <strong>realização autêntica</strong> através da integração harmônica com a totalidade. A verdadeira individualidade só emerge quando deixa de se opor defensivamente ao coletivo e ao inconsciente, abraçando–os como partes constitutivas de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, <strong>o praticante que busca impor sua vontade sobre o mundo permanece numa compreensão pré–iniciática e infantil de Thelema</strong>. Ele confunde o ego condicionado (a falsa vontade) com a Verdadeira Vontade, e imagina erroneamente que sua realização espiritual consiste em fortalecer as fronteiras do eu contra o não–eu. Esta postura não apenas falha em realizar a Grande Obra, mas a obstrui ativamente. A verdadeira maturidade thelêmica reconhece que a <strong>Vontade individual só se realiza através da uniãocom o cosmos</strong>, não através de sua conquista. A imposição gera resistência e conflito; a receptividade gera harmonia e realização. <strong>O objetivo final não é o domínio do microcosmo sobre o macrocosmo, mas sua fusão extática</strong>, a dissolução das fronteiras ilusórias que separam o sujeito do objeto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">4. A Filosofia da União e o Não–Eu</h2>



<h3 class="wp-block-heading">4.1. O Budismo Clássico: Anatta e a Dissolução do Ego Substancial</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A práxis thelêmica pode ser interpretada proveitosamente através de lentes filosóficas orientais que desconstroem a rigidez do sujeito cartesiano. O Budismo Clássico, que exerceu forte influência sobre o pensamento de Crowley (especialmente após sua estadia no Sri Lanka e seus estudos com Allan Bennett), ensina que o sofrimento (<em>dukkha</em>) advém fundamentalmente do apego a um <em>eu ilusório</em> (<em>anatta</em>, não–eu) e aos desejos compulsivos (<em>tanha</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Thelema adapta e reinterpreta esta percepção ao sugerir que “<em>vontade pura, desembaraçada de propósito, liberta do desejo de resultado, é em todo modo perfeita.”</em> (como afirmado no <em>Liber AL vel Legis</em>, II:44). Esta formulação aproxima–se notavelmente do conceito de <em>nishkama karma</em> (ação desapegada) do <em>Bhagavad Gita</em> hindu e do <em>wu wei</em> (não–ação ou ação espontânea) taoísta. A verdadeira Vontade não é um desejo neurótico que busca gratificação, mas um movimento espontâneo e natural que ocorre quando as camadas artificiais do ego são removidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A receptividade, neste contexto, significa <strong>abandonar a fixação no eu que deseja</strong> e permitir que a ação surja naturalmente da percepção clara da situação, uma percepção que só é possível quando o ego cessa de filtrar tudo através de suas ansiedades e projeções.</p>



<h3 class="wp-block-heading">4.2. O Idealismo Alemão: Schelling e Hegel sobre Sujeito e Objeto</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos também traçar paralelos frutíferos com a dialética do idealismo alemão, particularmente nas obras de Friedrich Wilhelm Joseph Schelling e Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Para Schelling, em sua <em>Filosofia da Identidade</em>, sujeito e objeto, espírito e natureza, não são entidades fundamentalmente separadas, mas polaridades de uma identidade absoluta subjacente. A separação é uma ilusão produzida pela reflexão limitada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos thelêmicos, podemos interpretar a <em>Vontade</em> como a Tese (o movimento do sujeito), o <em>Mundo/Não–Eu</em> como a Antítese (a resistência do objeto), e a <em>Grande Obra</em> (a realização mágicka completa) como a Síntese superior que supera e preserva ambos. A Vontade só se realiza plenamente ao encontrar e se unir ao seu oposto dialético, o cosmos que inicialmente parece externo e resistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hegel, em sua <em>Fenomenologia do Espírito</em>, demonstra como a consciência só atinge sua plena realização (<em>Geist</em>, Espírito Absoluto) através do doloroso processo de negação e reconhecimento do outro. A famosa dialética do senhor e do escravo ilustra que a dominação unilateral (a imposição da Vontade sem receptividade) é insatisfatória e alienante; apenas no reconhecimento mútuo há verdadeira liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistência de Crowley de que “<em>Amor é a lei, amor sob vontade</em>” [Liber AL, I:57] reflete precisamente essa necessidade hegeliana de união e reconhecimento. O Amor (<em>Agape</em>) é o método dialético de unir o sujeito ao objeto, de reconciliar a Vontade com o Mundo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">4.3. Hume e Sartre: A Vacuidade do Ego como Condição para a Autenticidade</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Filósofos empiristas e existencialistas também oferecem insights valiosos. David Hume, em seu <em>Tratado da Natureza Humana</em>, argumentou famosamente contra a existência de um <em>eu substancial e imutável</em>. Quando Hume volta sua atenção introspectivamente para dentro de si mesmo, não encontra um <em>eu</em> permanente, mas apenas <strong>um feixe ou coleção de diferentes percepções</strong> em constante mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jean–Paul Sartre, posteriormente, em <em>O Ser e o Nada</em>, desenvolveu a noção de que a consciência é fundamentalmente <strong>nada</strong> (<em>néant</em>), não no sentido de inexistência, mas no sentido de que ela é pura <strong>transcendência</strong>, sempre projetando–se para além de si mesma, n<strong>unca coincidindo consigo mesma</strong>. A existência precede a essência; não há um <em>eu</em> dado previamente, mas apenas a liberdade radical de se fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Thelema, essa <strong>vacuidade essencial do ego</strong> não é uma limitação, mas o espaço necessário para a manifestação da divindade. <strong>O magista deve </strong><strong>esvaziar–se</strong><strong> (passividade) para ser preenchido pela Verdadeira Vontade (atividade).</strong> Como na metáfora frequentemente utilizada: se o copo já está cheio de ego, preconceitos e condicionamentos, não pode receber o vinho da vida divina. A receptividade é, portanto, a condição de possibilidade para qualquer realização autêntica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">5. A União como Chave Soteriológica: Liber CL e Liber Astarté</h2>



<h3 class="wp-block-heading">5.1. Liber CL vel לענ De Lege Libellum: A Liberdade na Interconexão</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura técnica e teológica de Crowley reforça sistematicamente que a imposição viril da vontade é apenas metade da equação mágica. O texto <em>Liber CL vel </em><em>לענ </em><em>De Lege Libellum</em> (<em>Uma Sandália, Um Pequeno Livro sobre a Lei</em>), classificado como um documento da Classe D (instrução oficial) pela ordem Astrum Argentum, esclarece que a liberdade thelêmica e a Vontade operam necessariamente em um contexto de <strong>interconexão cósmica</strong>, onde o Amor (união) é a lei que guia e tempera a aplicação da Vontade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este texto traz de volta o trecho do Livro da Lei, ampliando o conceito de que “<em>todo homem e toda mulher é uma estrela</em>” [Liber AL, I:3], Não estrelas isoladas flutuando no vácuo, mas estrelas em um sistema gravitacional mútuo, onde cada órbita é determinada não apenas pela própria massa e momento, mas também pela atração de todas as outras estrelas. <strong>A liberdade não é o isolamento solipsista, mas a capacidade de seguir a própria órbita verdadeira em harmoniacom todas as demais órbitas</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a realização da Vontade individual pressupõe o reconhecimento e o respeito pelo <em>Não–Eu</em> — pelos outros seres, pelo ambiente natural, pelo cosmos como um todo. <strong>A tirania sobre o </strong><em><strong>Não–Eu</strong></em><strong> não é uma expressão da Verdadeira Vontade, mas sua perversão egoica.</strong> A verdadeira Vontade, quando descoberta e seguida, alinha–se naturalmente com a ordem cósmica, sem fricção nem conflito.</p>



<h3 class="wp-block-heading">5.2. Liber Astarté vel Berylli: A Devoção como Dissolução Extática</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Mais explicitamente ainda, o <em>Liber Astarté vel Berylli</em> (Liber CLXXV), também classificado como Classe D, instrui o praticante na arte da <em>Bhakti Yoga</em> ou união pela devoção, a adaptação thelêmica ocidental do caminho devocional hindu. Nesta prática, o magista adota uma postura de <strong>total passividade e adoração</strong> a uma divindade escolhida (que pode ser Astarté, Ísis, Apolo, Cristo, ou qualquer arquétipo divino com o qual o praticante ressoe).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método prescreve que o devoto organize sua vida inteiramente em torno dessa divindade, estabelecendo práticas diárias rigorosas de oração, invocação, contemplação e oferendas, tratando a entidade como um amante divino. O praticante deve <strong>suprimir deliberadamente o ego e a vontade pessoal</strong> para se tornar um <strong>veículo transparente</strong><strong> da divindade</strong>. A intensidade emocional e a concentração exclusiva visam dissolver gradualmente as fronteiras psicológicas entre adorador e adorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo final não é a submissão servil a um deus externo (como na religião exotérica convencional), mas a <strong>união mística</strong> (<em>Samadhi</em> ou <em>Unio Mystica</em>). Quando a devoção atinge seu ápice, a distinção entre sujeito (o magista) e objeto (a divindade) colapsa. Não há mais <em>devoto</em> e <em>deus</em>, mas uma unidade indissolúvel. Como afirma a proclamação da Missa Gnóstica: ”<em>Não há parte de mim que não seja dos deuses</em>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucesso na Magick, conforme demonstrado pelo <em>Liber Astarté</em>, não é a conquista ou dominação do universo pelo mago (uma fantasia de poder egoico), mas a <strong>dissolução do mago no universo</strong>: um ato supremo de receptividade e passividade onde o praticante se torna o Cálice que contém a totalidade do cosmos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">5.3. Ágape: O Amor como Operador Técnico da União</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de <em>Ágape</em> (Amor) em Thelema não é sentimental, mas <em>técnico</em>. É definido como o <strong>instinto de união</strong> — a força que compele o sujeito a sair de si mesmo e se integrar ao objeto. Significativamente, na Gematria grega (<em>isopsēphía</em>), tanto <em>Thelema</em> (Vontade) quanto <em>Ágape</em> (Amor) somam 93, indicando sua identidade essencial ou complementaridade perfeita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fórmula completa, “<em>Amor é a lei, amor sob vontade</em>”, sugere que enquanto a Vontade define a <em>direção</em> (a órbita da estrela), o Amor é o <em>método</em> (a força gravitacional) que conecta essa estrela ao corpo infinito do universo (Nuit), permitindo a interação, a troca e a existência manifestada. Sem Amor, a Vontade seria apenas um vetor abstrato no vácuo; sem Vontade, o Amor seria uma fusão indiferenciada e caótica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Amor, portanto, é o agente que <em>dissolve o ego</em> e permite que a consciência individual se expanda e se integre ao Todo. <strong>Praticantes que enfatizam apenas a Vontade e ignoram o Amor são descritos criticamente como “vivendo à </strong><em><strong>Meia Lei”</strong></em>: uma versão incompleta e distorcida de Thelema que r<strong>esulta em egoísmo, conflito e alienação</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">6. O Não–Eu na Práxis Cotidiana</h2>



<h3 class="wp-block-heading">6.1. A Sacralidade do Outro</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão da importância do <em>Não–Eu</em> tem profundas implicações éticas e sociais. Se, como afirma o <em>Liber AL</em>, “<em>Todo homem e toda mulher é uma estrela”</em>, então<strong> cada </strong><em><strong>Outro</strong></em><strong> (cada </strong><em><strong>Não–Eu</strong></em><strong>) é um ser soberano com sua própria trajetória sagrada e inviolável.</strong> O reconhecimento do <em>Não–Eu</em> implica reconhecer a divindade e a autodeterminação inerentes ao outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um thelemita olha para outra pessoa, ele é instruído a ver não um objeto a ser manipulado ou um obstáculo a ser removido, mas uma <em>manifestação do corpo de Nuit</em>, uma parte do Todo divino do qual ele próprio é parte. <strong>Amar o </strong><em><strong>Não–Eu</strong></em><strong>é, paradoxalmente, amar a si mesmo e à totalidade da existência</strong>, pois a distinção entre <em>Eu</em> e <em>Não–Eu</em> é, em última análise, uma convenção útil mas não uma verdade metafísica absoluta. Ou, como é dito em <em>Liber CL</em>: “<em>no Caminho do Amor, o Mal aparece como ‘tudo o que tende a impedir a União de quaisquer duas coisas’.</em>”</p>



<h3 class="wp-block-heading">6.2. A Ética da Não–Interferência</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto prático do conceito de <em>Não–Eu</em> nas relações sociais é a formulação de uma <strong>ética da não–interferência</strong>. Se cada indivíduo é uma estrela com sua órbita própria (sua Verdadeira Vontade), então a liberdade de cada um é sagrada e inviolável. O reconhecimento do <em>Não–Eu</em> implica respeitar que o outro tem um caminho único que não deve ser perturbado por imposições externas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conflito social, nesta perspectiva, não surge do exercício legítimo da Vontade, mas da <em>desordem</em>, quando uma <em>estrela</em> sai de sua órbita verdadeira (por ignorância, medo ou condicionamento) e invade o caminho de outra. Se todos estivessem cumprindo suas Verdadeiras Vontades, haveria uma harmonia natural, como engrenagens perfeitamente ajustadas em um mecanismo cósmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eticamente, <strong>qualquer tentativa de impor a própria vontade egoica sobre o </strong><em><strong>Não–Eu</strong></em><strong>, de manipular, coagir ou desviar outra pessoa de seu caminho autêntico, seja ou não através de meios mágicos ou ritualísticos, é classificada como </strong><em><strong>magia negra</strong></em>. Portanto, a relação com o <em>Não–Eu</em> exige um respeito absoluto pela autonomia alheia; não como um limite externo à própria liberdade, mas como sua condição de possibilidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">6.3. Cooperação versus Competição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Contrariando a visão de que Thelema promove o isolamento competitivo, a doutrina enfatiza que a liberdade individual é <strong>dependente da liberdade coletiva</strong>. O ser humano não evoluiu para viver no vácuo; somos fundamentalmente sociais. A <strong>tapeçaria de interações sociais não é um obstáculo acidental à liberdade, mas seu tecido constitutivo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O thelemita deve compreender que, enquanto houver restrição ou tirania no <em>Não–Eu</em> (na sociedade mais ampla), sua própria liberdade está potencialmente comprometida. <strong>A liberdade de um indivíduo valida e confirma a liberdade dos outros</strong>. Em uma sociedade thelêmica ideal, a cooperação harmônica baseada no reconhecimento mútuo da soberania de cada estrela supera a competição predatória baseada no medo e na escassez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao dizer ao outro “<em>Faze o que tu queres será o todo da Lei”</em>, o indivíduo está concedendo ao <em>Não–Eu</em> a mesma dignidade e liberdade que reclama para si, criando assim um fundamento para uma irmandade universal baseada não na conformidade, mas na <strong>autonomia mútua</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, Thelema não é uma apologia à tirania do ego, nem uma glorificação do individualismo narcisista contemporâneo. É, ao contrário, um <strong>sistema complexo e sofisticado de autorrealização</strong> que exige o equilíbrio dinâmico e a integração harmônica entre atividade e passividade, entre imposição e receptividade, entre Vontade e Amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retornando ao argumento central deste estudo: <strong>a interpretação de Thelema como uma doutrina de imposição da vontade individual sobre o cosmos (ou sobre o outro) representa uma compreensão fundamentalmente imatura e equivocada</strong>, típica daqueles que permanecem presos nas camadas exotéricas e superficiais do sistema. O praticante maduro compreende que <strong>o verdadeiro objetivo de Thelema é a união do microcosmo com o macrocosmo</strong>: a realização da Grande Obra através da <strong>dissolução das fronteiras ilusórias entre o </strong><em><strong>eu</strong></em><strong> e o </strong><em><strong>não–eu</strong></em>. Esta união não aniquila a individualidade, mas a <strong>transfigura</strong>, revelando que a verdadeira soberania individual reside não na oposição ao Todo, mas na participação consciente e harmônica na ordem cósmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Utilizando o linguajar simbólico apropriado, a Baqueta deve ser temperada e completada pelo Cálice; a projeção assertiva da Vontade deve ser equilibrada pela recepção contemplativa do Entendimento. O Sinal de Puella, a Sacerdotisa na Missa Gnóstica e as práticas devocionais do <em>Liber Astarté</em> demonstram que a <strong>passividade não é fraqueza, mas um dos maiors poderes de um magista</strong>, um <em>poder magnético</em>, o poder de atrair, conter, nutrir e transformar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através do processo de individuação (no sentido junguiano) e da união mística com o <em>Não–Eu</em> (no sentido budista, hegeliano e thelêmico), o thelemita não busca impor–se tiranicamente sobre o mundo, mas tornar–se um <strong>canal desimpedido</strong> para a expressão da ordem cósmica. <strong>O objetivo final não é a conquista do universo, mas a </strong><strong>dissolução extática no universo</strong><strong>, realizando assim a fórmula sagrada de </strong><em><strong>Amor sob Vontade</strong></em><strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como afirma o <em>Liber AL vel Legis</em> [I:42-43]: “<em>Deixai aquele estado de multiplicidade limitado e repugnante. Assim com vós todos; tu não tens direito senão fazer a tua vontade. Fazei isso, e nenhum outro dirá não.</em>” Esta passagem, corretamente compreendida, não é um convite ao hedonismo ou à tirania, mas uma instrução para descobrir e realizar a Verdadeira Vontade, aquela Vontade que, por estar perfeitamente alinhada com o cosmos, não encontra resistência legítima, pois reconhece e respeita a soberania de todas as outras vontades verdadeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Grande Obra, portanto, é simultaneamente <strong>individuação</strong> (tornar–se plenamente o que se é) e <strong>união</strong> (dissolver–se no que transcende o eu). Esta aparente contradição é resolvida na percepção de que o eu mais autêntico e individualizado é precisamente aquele que <strong>compreendeu sua identidade fundamental com o Todo</strong>. Como proclama a Missa Gnóstica: “<em>Não há parte de mim que não seja dos deuses</em>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a passividade e a receptividade revelam–se não como meras virtudes complementares à Vontade, mas como <strong>condições essenciais</strong> para sua realização. <strong>Sem a capacidade de se abrir, de receber, de se dissolver e de se unir ao </strong><em><strong>Não–Eu</strong></em><strong>, a Vontade permanece uma abstração estéril, um desejo egoico condenado à frustração.</strong> É apenas através da dança dialética entre Baqueta e Cálice, entre Vontade e Amor, entre atividade e passividade, que a Obra se consuma e o magista realiza sua verdadeira natureza como uma estrela consciente no corpo infinito de Nuit.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amor é a lei, amor sob vontade.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Bibliografia</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BHAGAVAD GITA. Tradução de Rogério Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. [Referência ao conceito de <em>nishkama karma</em>].</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROWLEY, Aleister. <strong>Gems from the Equinox</strong>: Instructions by Aleister Crowley for his own Magical Order. Edição de Israel Regardie. Tempe, AZ: New Falcon Publications, 1988. [Contém os Libers citados: <em>Liber Astarté vel Berylli</em> e instruções sobre o <em>Sinal de Puella</em>].</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROWLEY, Aleister. <strong>Magick: Liber ABA, Book 4</strong>. Edição de Hymenaeus Beta. York Beach: Weiser Books, 1997. [Contém o <em>Liber XV (Missa Gnóstica)</em> e <em>Liber V (Liber Reguli)</em>].</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROWLEY, Aleister. <strong>O Livro da Lei: Liber AL vel Legis</strong>. Tradução de Marina Della Valle. Rio de Janeiro: Madras, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROWLEY, Aleister. <strong>The Equinox, Vol. III, No. I</strong> (The Blue Equinox). Detroit: Universal Publishing, 1919. [Fonte original do <em>Liber CL vel </em><em>לענ </em><em>De Lege Libellum</em>].</p>



<p class="wp-block-paragraph">FORTUNE, Dion. <strong>A Magia Aplicada</strong>. Tradução de Antônio Carlos Silva. São Paulo: Pensamento, 1982.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HEDENBORG WHITE, Manon. <strong>The Eloquent Blood</strong>: The Goddess Babalon and the Construction of Femininities in Western Esotericism. Oxford: Oxford University Press, 2020. [Sugestão acadêmica contemporânea para fundamentar a análise da Sacerdotisa e da receptividade na O.T.O.].</p>



<p class="wp-block-paragraph">HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. <strong>Fenomenologia do Espírito</strong>. Tradução de Paulo Meneses. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. [Referência à dialética do senhor e do escravo e à união sujeito-objeto].</p>



<p class="wp-block-paragraph">HUME, David. <strong>Tratado da Natureza Humana</strong>. Tradução de Débora Danowski. 2. ed. São Paulo: UNESP, 2009. [Referência à crítica do &#8220;eu substancial&#8221;].</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Aion: Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo</strong>. Tradução de Dom Mateus Ramalho Rocha. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2011. (Obras Completas de C.G. Jung; v. 9/2). [Referência ao processo de individuação e ao Self].</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>O Eu e o Inconsciente</strong>. Tradução de Dora Ferreira da Silva. 26. ed. Petrópolis: Vozes, 2015. (Obras Completas de C.G. Jung; v. 7/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAHULA, Walpola. <strong>What the Buddha Taught</strong>. New York: Grove Press, 1974. [Referência clássica para os conceitos de <em>Anatta</em> (não-eu) e <em>Dukkha</em> citados].</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARTRE, Jean-Paul. <strong>O Ser e o Nada</strong>: Ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2015. [Referência à consciência como &#8220;nada&#8221; e transcendência].</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph. <strong>Sistema do Idealismo Transcendental</strong>. Tradução de Ruben Dario. Petrópolis: Vozes, 2010. [Referência à Filosofia da Identidade].</p>
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		<title>Apontamentos Sobre a Prática Ritual.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frater R.T.R. 10]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2025 16:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Magia Clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Magick]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Quando se trata de Ocultismo, observa-se uma indesejável confusão entre superstição e conhecimento apresentados sob a aparência do empirismo. A crença avança camufladamente sobre o campo do simbólico e reclama para si o título de “científica”. De um lado, o rapto de termos da ciência moderna intentando explicar conceitos que há muito se assentaram como lugar comum na prática mágicka, como “plano astral”, “energia” e “clarividência”, furtivamente dogmatizam a Magia em seu plano teórico. De outro, posturas que replicam instruções ou releituras pessoais como autoridades pseudolegitimadas pelo tempo de prática individual dogmatizam a Magia prática. Dessa forma, o aspecto individual da ritualística é condicionado a um conhecimento absoluto <em>a priopri</em>, que eleva o particular ao status de geral e reduz a riqueza de possibilidades da experiência singular com o ritual a uma verdadeira homogeneização de sua <em>práxis.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">É sim necessário que, na prática do sistema mágicko, sejam utilizados termos e conceitos da sua linguagem própria. Porém, é importante que evitemos cair na armadilha do cientificismo (gerador de pseudociência), compreendendo-se que a ciência moderna encerra conceitos que não se comunicam, e jamais se comunicaram, com a Magia. Definir “plano astral” e “energia mental” a partir de conceitos próprios da Física Quântica, por exemplo, é apropriar-se indevidamente de um campo de conhecimento completamente distinto que possui abordagens e vias próprias, além de esgotar a possibilidade de compreensão pessoal destes termos, cujas elaborações devem ser inerentes ao trabalho necessário que cada qual estabelece por si só.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inegavelmente, a prática ritual está intrinsecamente relacionada à natureza humana, pois se trata de uma forma primordial que acompanhou e viabilizou o desenvolvimento da linguagem no homem. Sob a ótica thelêmica, entendemos que natureza humana é sinônimo de singularidade irreplicável, o que significa dizer que cada indivíduo possui sua maneira personalíssima de realização e percepção dos elementos da ritualística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa propedêutica, a ritualística é entendida como uma ferramenta através da qual o próprio Gênio do indivíduo pode vir a se manifestar, e por isso mesmo, afirmações insofismáveis de que os símbolos devam ser percebidos ou visualizados de uma forma específica representam um esvaziamento da utilidade do ritual. É claro, não significa dizer que não há direcionamentos gerais que possam ser inferidos do próprio rito, ou instruções objetivas sobre a natureza do resultado que se possa esperar:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O sucesso em &#8220;banimento&#8221; é conhecido por uma &#8220;<strong>sensação de limpeza</strong>&#8221; na atmosfera; o sucesso em &#8220;invocação&#8221;, por um &#8220;<strong>sentimento de santidade&#8221;</strong>. É lamentável que estes termos sejam tão vagos.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">(Liber O vel Manus Sagittae, cap. IV)</p>
</blockquote>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, apesar de “lamentável”, se esses termos fossem completamente definidos <em>a priori, </em>correríamos o grande risco de: (1) macular a singularidade da experiência ritual pelo sugestionamento do resultado a ser esperado e (2) rejeitar toda sensação que se pareça incongruente com o esperável, descartando-as como desprovidas de sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, não somente a experiência dessas vagas definições destacadas acima é individual e única, como também o caminho percorrido pelo ritual até elas. Arrepios específicos; sensações de queda; sinestesias com as cores das chamas do pentagrama (ou com suas formas); sussurros no ouvido; surtos de imagens oníricas; surtos de calma ou emoção&#8230; Todos estes fatores, já verificados em práticas do RMP, por exemplo, configuram o resultado de uma união única do praticante para com os símbolos evocados. Por isso mesmo, devem ser objetivamente anotados e analisados quanto à sua persistência ou manutenção durante a consistência da prática pelo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A definição, ou ato de definir, é um atributo da linguagem do eu consciente (do ego, da mente), linguagem esta que foi desenvolvida nos primórdios da humanidade em conjunto com o próprio ritual. Com o avanço irrefreável do pensamento racionalista, houve o desencantamento do mundo, que, do ponto vista junguiano, representa o divórcio da psique para com as suas origens inconscientes. Podemos dizer que o ritual mágicko como o entendemos hoje, foi um dos atos que representaram o seu “reencantamento”, tão necessário nos dias atuais conforme nos afirma James Hillman. Em outras palavras, o ritual foi originado pelo ser humano em conjunto a com a sua própria linguagem, em uma era primitiva em que o mundo desconhecido era povoado por seres fantásticos que representaram uma expressão simbólica de sua própria psique mais profunda. Hoje, o ritual é resgatado com sua função Mágicka para a religação (“<em>religare</em>”, origem da palavra religião) com o elemento fantástico ou inconsciente, que havia sido relegado ao plano da superstição pelo avanço da linguagem cartesiana que intentou a mecanização do ser e do mundo. Com a diferença que, amadurecidos pela compreensão ampliada da natureza e da Iniciação, os rituais contemporâneos trazem à baila fórmulas mais sofisticadas e adequadas ao atual momento de desenvolvimento da humanidade (Novo Éon). Eles foram, pois, naturalmente desenvolvidos com objetivo de transcender a racionalidade do ego e tocar o substrato psíquico que o subjaz, consistindo em um verdadeiro retorno da consciência às suas origens e, para esse fito, utilizou-se do símbolo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung define símbolo como “<em>a imagem de um conteúdo [psíquico] em sua maior parte transcendente ao consciente</em>” (JUNG, 2013), de forma que, ainda segundo o autor, todo símbolo possui um aspecto (inconsciente) inalcançável pela mente consciente, isto é, incapaz de ser explicado pela razão.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“[&#8230;] uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato.” (JUNG, 1969)</p>
</blockquote>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esses conceitos são introduzidos por Jung para posteriormente explicar a funcionalidade dos símbolos nos sonhos. Para nosso propósito, eles nos orientam quanto à natureza do objeto ao qual a consciência é unida durante o ritual. Em outras palavras, do ponto de vista psicológico, a prática ritualística visa a utilização do símbolo enquanto ferramenta de união da consciência com a ideia nele encerrada, com fim de abarcar o que está além. Isso se dá porque a natureza do Mistério é a <em>Gnosis </em>&#8211; a experiência direta, a revelação ou transe místico, cujo método foi explorado, por exemplo, pela Teurgia de Jâmblico no início da era vulgar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As observações a seguir são apontamentos cujo objetivo é enriquecer a prática ritualística de cada indivíduo, buscando ampliar a sua consciência sobre a mesma a fim de torná-la mais concentrada e eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é importante salientar que o presente estudo não se trata de um fim em si mesmo, senão de uma reflexão de meio para possibilitar ao estudante em sua caminhada despertar o que Herman Hesse cunhou como sendo o conhecimento que borbulha no sangue e corre nas veias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é ritual?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ritual, segundo Richard Schechner: &#8220;[&#8230;] é o comportamento estilizado repetitivo e codificado, que comunica informações culturais sobre status e papéis, compreensão do mundo e experiência religiosa”. (SCHECHNER, 2003)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nosso contexto, estilização significa a abreviação de princípios metafísicos e conceitos filosóficos em palavras, figuras e atos. A prática da estilização é tão antiga quanto o desenvolvimento da própria linguagem, sendo inclusive umas das formas primitivas de comunicação. A pintura rupestre, por exemplo, é a forma primitiva de estilização de ideias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poderíamos dizer, por exemplo, que AMEN é uma versão estilizada da frase “<em>Adonai Melech Neeman”</em> (Senhor Deus Fiel), ou que “<em>OM</em>” é uma versão estilizada do conceito de vibração primordial do universo. Certamente, o ritual é recheado de “comportamentos estilizados”, cujos conceitos chaves são a base do que chamamos de “fórmulas mágickas”, algumas das quais são exemplificadas em Liber ABA. A expressão “I O” utilizada no Rubi Estrela, por exemplo, é uma estilização do conceito de união dos opostos para possibilidade da criação. O magista está “criando” a si mesmo, simbolicamente, nascendo de novo como um “Bebê do Abismo”, referências a processos espirituais alocados em lugares específicos da Árvore da Vida cabalística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ampliando essa definição, Victor Turner, antropólogo britânico, diz que o ritual também tem o propósito de “criar efeitos emocionais e cognitivos em participantes e observadores&#8221;. (TURNER, 1969).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um artigo da USP intitulado “O conceito de ritual em Richard Shechner e Victor Turner”, Grasielle Aires da Costa identifica os pontos em comum de ambas as definições acima apresentadas como sendo: <strong>liminaridade</strong> e <strong>transformação,</strong> fases comuns ao ritual em sentido lato. Como se pode ver, liminaridade e transformação configuram o verdadeiro mecanismo de funcionamento do rito no indivíduo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>LIMINARIDADE: resultado inicial das práticas do ritual. O indivíduo sofre um momento de separação para com o cotidiano, “saindo” da sua vida comum à medida que se utiliza de gestos, atos e visualizações ritualísticas que naturalmente o conduzirão ao processo seguinte.</li>



<li>TRANSFORMAÇÃO: Turner enfatiza que a vivência do ritual propicia uma retirada da “vestimenta” imposta pela sociedade, viabilizando ao indivíduo deparar-se com sua essencialidade primitiva, ocorrendo uma mudança de fora para dentro. Para Shechner, essa transformação ocorre no sentido inverso, ou seja, de dentro para fora, uma vez que, perpassada a liminaridade, o indivíduo se redefine através de uma postura interior que produzirá efeitos futuros na sua conduta exterior.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para um recorte mais específico de ritualística mágicka, poderíamos dizer:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O ritual mágicko é um conjunto de atos dramatizados em gesto e imaginação, baseados em fórmulas que representam a mudança almejada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa definição, podemos encontrar os seguintes baluartes da nossa prática ritualística, simbolicamente associados aos cinco elementos clássicos representados pelo pentagrama em um mecanismo de retro-funcionamento demonstrado adiante.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Características do ritual.</strong></h2>


<div class="wp-block-image is-style-default">
<figure class="aligncenter size-full"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="600" src="https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2025/08/artigo-praticas-ritual.png?resize=600%2C600&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2298" srcset="https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2025/08/artigo-praticas-ritual.png?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2025/08/artigo-praticas-ritual.png?resize=384%2C384&amp;ssl=1 384w, https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2025/08/artigo-praticas-ritual.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2025/08/artigo-praticas-ritual.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Gestos e Atos:</strong> representam o elemento TERRA. Os gestos são a materialização da ideia no corpo (corporificação de um conceito, fórmula ou princípio), e o conjunto de atos é o próprio corpo do rito: a sequência necessária que caracteriza o ritual enquanto tal. Requerem esforço e memorização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Fórmulas:</strong> representam o elemento AR. Elas consistem nos conceitos filosóficos que residem por detrás do ritual: o complexo de informações que serão estilizadas em gestuais, simbologia e vocalização a serem corporificados acima. Requerem estudo e conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Imagem: </strong>do latim, “IMAGO”, representa o elemento FOGO, pois a visualização visa “sutilizar” ou “transmutar” o ambiente percebido pelas vias comuns em um cenário simbólico composto pela intenção. A concentração adequada tem o condão de “sutilizar” o plano astral, ou sensibilizar a percepção do magista, mudando o foco da imagem plasmada no estofo mental (ambiente concreto, mundano, material) para aquele de caráter espiritual, místico, religioso, iniciático. Israel Regardie salienta que a chave para a magia cerimonial se resume em Vontade e Imaginação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ritual, a visualização consiste de imaginar símbolos (formas, cores e divindades) e deve ser realizada com extrema força de vontade. Assim, é também o elemento fálico do rito, equiparável ao princípio masculino (<strong>I)</strong>. Essa conduta ativa do magista é naturalmente preenchida com uma impressão específica do ato realizado, cujo caráter não é controlado por sua vontade consciente e que representa o elemento feminino, intuitivo do rito (<strong>O</strong>). A sua combinação visa produzir um terceiro elemento que pode ser considerado como o próprio resultado da fórmula mágicka (<strong>PAN</strong>). Requer vontade e concentração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Drama: </strong>o elemento de teatralização que gera sentimento, sensibilização e inspiração, e, portanto, simboliza o elemento ÁGUA. A performance teatral consiste em se colocar propositalmente em um estado interior de seriedade, inspiração ou outro, adequado ritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> A cura de um chakra desequilibrado consiste em submetê-lo à presença de objetos que tenham a mesma natureza, com vibrações equilibradas, a fim de equanimizá-lo. Da mesma forma, em escala maior, uma maioria de praticantes rituais em frenesi induzem uma minoria da congregação a atingir o mesmo estado mental extático, como é o exemplo dos Derviches. O mesmo é aplicável a sintomas contagiantes, como a força sexual (vide o mito das Bacantes), a alegria ou o desespero coletivos. Peter Caroll, por exemplo, propõe uma técnica de se forçar o riso diante de situações de aversão ou tristeza como uma forma de superar a emotividade do magista para além daquilo a que sua natureza humana ou social o condicionou a perceber como emotivo, flexibilizando-se em união e anulação de seus gostos com o seu oposto para atingir Kia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nossa utilidade, o drama ritual é necessário como ponto de partida de uma indução de sentimentos harmônicos ao ritual, além da função de propiciar a liminaridade anteriormente explicada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro exemplo prático seria o gritar feroz do banimento inicial do Rubi Estrela, o qual pode ser explicado pelo efeito biológico que o timbre de voz causa na estrutura cerebral responsável pelo condicionamento evolutivo (é sabido que o desenvolvimento da linguagem teve como fatores determinantes as primeiras reações emocionais como produtos da interação primitiva do ser humano com o meio. Dentre elas, a utilização da voz berrante e feroz como mecanismo para afastar animais predadores).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Mudança:</strong> Por fim, o elemento Espírito é associado ao resultado do ritual, qual seja, a mudança almejada, que pode ser definida como iluminação, evolução, conversação, etc. Optamos por utilizar o termo “mudança”, para fins de se evitar a carga de informações que foi associada às palavras que se referem à espiritualidade. Sugere-se que, após a finalização de todo ritual, seja realizado um período de silêncio a fim de se integrar o complexo de atos que foram realizados. Por isso, o Elemento Espírito no ritual enseja silêncio interior.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">I. O Yoga é a arte de unir a mente a uma única ideia. Tem quatro métodos. [&#8230;].<u>Estes são unidos pelo método supremo do Silêncio.</u>  II. A Magia Cerimonial é a arte de unir a mente a uma única ideia. Tem quatro métodos. [&#8230;]. <u>Estes são unidos pelo método supremo do Silêncio.</u></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">(Cartas aos Probacionistas)</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>BIBLIOGRAFIA:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>AIRES, </strong>Grasielle Aires da. O Conceito de Ritual em Richard Schechner e Victor Turner: Análises e Comparações. Revista aSPas. USP, 2013.</li>



<li><strong>CROWLEY</strong>, Aleister. Cartas aos Probacionistas. The Equinox, Vol I, No. II. 1909.</li>



<li><strong>CROWLEY</strong>, Aleister. Liber ABA (Book Four). The Equinox, Vol. I, No. VIII.  1913.</li>



<li><strong>CROWLEY</strong>, Aleister. Liber O vel Manus Sagittae. The Equinox, Vol I, No. II. 1909.</li>



<li><strong>CROWLEY</strong>, Aleister. Liber CCCXXXIII – O Livro das Mentiras: Que também é falsamente chamado de QUEBRAS. As divagações ou falsificações do único pensamento de Frater Perdurabo, cujo pensamento é ele próprio falso. 1913. </li>



<li><strong>JUNG,</strong> Carl G. Símbolos da transformação. Petrópolis: Vozes, 2013.</li>



<li><strong>JUNG,</strong> C.G., M.-L. von Franz, J.L. Henderson, J.Jacobi, A. Jaffé.  O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1969.</li>



<li><strong>KÖRBES HAULSCHILD</strong>, Álvaro. A Doutrina do Trabalho Divino: A Influência da Teurgia dos Oráculos Caldeus sobre a Filosofia de Jâmblico. UFRGS, 2019.</li>



<li><strong>SCHECHNER</strong>, Richard. Performance Theory. Routledge, 2003.</li>



<li><strong>TURNER,</strong> Victor. The Ritual Process: Structure and Anti-Structure. Aldine Transaction, 1969.</li>
</ul>
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		<item>
		<title>A Esponja Estelar e os 50 Portais: Duas passagens para a Revelação</title>
		<link>https://quetzalcoatl-oto.org/a-esponja-estelar-e-os-50-portais-duas-passagens-para-a-revelacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bill Heidrick]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 20:51:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cabala]]></category>
		<category><![CDATA[Magick]]></category>
		<category><![CDATA[Thelema]]></category>
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					<description><![CDATA[A visão de Crowley da Esponja Estelar, no Lago Pasquaney em uma noite de 1916, foi uma percepção muito profunda, mas uma concepção muito ordinária. Crowley viu &#8220;O Vazio com centelhas&#8221; e elaborou subseqüentemente a visão para incluir muitos insights. [&#8230;] Cada fase no processo era como a alegria de uma jovem águia que plana... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/a-esponja-estelar-e-os-50-portais-duas-passagens-para-a-revelacao/">Leia mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A visão de Crowley da Esponja Estelar, no Lago Pasquaney em uma noite de 1916, foi uma percepção muito profunda, mas uma concepção muito ordinária. Crowley viu &#8220;O Vazio com centelhas&#8221; e elaborou subseqüentemente a visão para incluir muitos insights.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Cada fase no processo era como a alegria de uma jovem águia que plana entre as alturas na sempre crescente luz solar na medida em que o amanhecer vai chegando, espumando, sobre a bainha roxa do traje do oceano, e quando os muitos raios coloridos de rosa e ouro e verde reuniram-se e se fundiram na gloriosa órbita do sol, com uma euforia que fez tremer a alma com inimaginável êxtase, aquela esfera de luz impetuosa foi reconhecida como uma idéia comum, inquestionavelmente aceita e tratada com indiferença, porque foi por tanto tempo assimilada como uma parte natural e necessária da ordem da Natureza. No princípio eu fiquei chocado e enojado ao descobrir que uma série de pesquisas brilhantes culminariam em uma trivialidade. Mas eu entendi logo que o que eu tinha feito era viver novamente a carreira triunfante de conquistar a humanidade; que eu tinha experimentado em minha própria pessoa a sucessão de vitórias aladas que tinham sido seladas por um tratado de paz, cujas cláusulas poderiam ser resumidas em algumas expressões triviais como &#8220;A beleza depende da forma&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seria impraticável entrar completamente no assunto desta visão da Esponja-Estelar, apenas porque suas ramificações têm várias formas. Basta reiterar que isto tem sido a base da maioria dos meus trabalhos durante os últimos cinco anos, e lembrar ao leitor que sua forma essencial é o &#8220;Vazio com centelha.&#8221;<br>(o comentário novo de Crowley para Líber AL, Capítulo I, v. 59. Veja também &#8220;Confessions&#8221; pág. 810 e ff;&nbsp;Liber Aleph&nbsp;geralmente em muitas das passagens que citam o termo &#8220;Estrela(s)&#8221;; e muitas passagens em &#8220;Vision and Voice&#8221;.)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esta visão descobriu o conceito de um campo matemático simples, depois estendido para incluir vetores e campos funcionais. O contato de Crowley com Sullivan (veja &#8220;Confessions&#8221;, pág. 922) o levou a investigar autores matemáticos. Ele estava profundamente impressionado com as escritas de Bertrand Russell e A. Eddington. O interesse de Crowley pela matemática de campos e séries veio a dominar muitas passagens das suas escritas posteriores, especialmente os comentários para Líber AL e Líber LXV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que fez a visão da Esponja Estelar o eixo central para Crowley foi seu estado de prontidão na ocasião em que ele percebeu a relação. Alguns estudos e experiências, especialmente as iniciações, têm que acontecer em seqüência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Sequitur De Hac Re&#8221;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Eu acredito geralmente, nas bases tanto da Teoria quanto da Experiência, tão pouco quanto eu possa ter, que um Homem deve ser primeiro Iniciado e estabelecido na Nossa Lei antes que ele possa usar este Método. Porque nisto está uma Implicação da nossa Iluminação Secreta, relativa ao Universo, como sua Natureza é absolutamente Perfeição.</p>
<cite>Liber Aleph, pág. 181.</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos dos que aderem à &#8220;nova&#8221; Magia do Caos falham nesta consideração. Não há nada de novo ou revolucionário na Magia do Caos. É a prática comum a todos os estudantes dos mistérios, e um começo do trabalho sério. O estudo dos sistemas estabelecidos é necessário. Da visão espontânea de Crowley (Caótica?) da Esponja Estelar, uma trivialidade em si mesma, ele continuou para então descobrir as ramificações desta visão dentro do conhecimento acumulado da matemática. Se ele não tivesse feito isto, ele teria gasto muito mais tempo &#8220;redescobrindo a roda&#8221;. Como funcionou, Crowley pôde aplicar a teoria do campo elementar, através da metáfora, à teleologia e, com menos sucesso, à sociologia.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">4. Os cinqüenta portais de Binah foram explicados de várias maneiras. Eles não parecem ser de grande importância; é apenas seu número que é significante. A referência é para Nun = 50 = Escorpião Atu XIII&#8211;Morte.&#8221;</p>
<cite>&#8220;O Chamado do 14º Aethyr&#8221;, &#8220;Vision &amp; Voice&#8221;, página 82, fn 4</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Os 50 portais de Binah não foram completamente entendidos por Crowley como tal, mas ele adquiriu a concepção através do tempo e da experiência pessoal. A idéia essencial por detrás dos 50 portais aparece em muitos dos seus escritos e realizações; por exemplo, &#8220;Wakeworld&#8221; em &#8220;Knox Om Pax&#8221;, e &#8220;Vision and Voice&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crowley sentiu falta do significado do diagrama G.·.D.·. das dez Sephiroth em sete palácios nesta conjunção. Este diagrama (&#8220;Equinox&#8221; Vol. I, nº 2, &#8220;Templo de Salomão, o Rei&#8221;, pág. 272, Dia. 27) mostra a distribuição das dez Sephirot em sete palácios, e é uma representação do momento exato da abertura do qüinquagésimo portal — o cruzamento do Abismo. Neste momento fundem-se Malkuth e Yesod e as três Sefiroth superiores aparecem como uma, como Binah. Crowley tornou-se ciente disto através de sua própria experiência, e o fez vendo as Supernas como uma Sephira, ao cruzar inicialmente o Abismo. Ao contrário da sua experiência com a visão da &#8220;Esponja Estelar&#8221;, ele aparentemente não identificou isto com um corpo pré-existente de conhecimento, a tradição dos Cinqüenta Portais do Entendimento. Muito provavelmente, esta omissão pode ser atribuída às velhas representações da Golden Dawn destes 7 palácios e à Besta das Revelações em uma visão negativa Cristã. Veja &#8220;Equinox&#8221;, Vol. I, nº 2, pág. 275, Dia. 33 e pág. 283, Dia. 51, onde a Besta é associada aos palácios. A maioria das especulações a este respeito trata de coisas como os sete morros de Roma, heresias cristãs relativas a &#8220;Satã&#8221;, anticristo e similares. Esta Besta é uma relíquia do misticismo gnóstico e pré-cristão, cuja antiguidade é desconhecida. As Revelações são uma falsificação por si mesmas, com as visões copiadas de fontes pré-cristãs da Merkabah. A Besta com 10 chifres e 7 cabeças é uma variante da serpente nos 32 caminhos da árvore da Vida e uma alternativa para o diagrama dos sete palácios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma lista dos Cinqüenta Portais de Binah ou do Entendimento por trás de uma tradução do &#8220;Sepher Yetzirah&#8221; por Wescott, embora não em todas as edições, e o original desta lista está no &#8220;Oedipus Aegyptiacus&#8221;, de Kircher. Westcott tomou liberdades com sua fonte. Ele mudou o portal 41 e removeu o material da descrição do portal 50 relativo a Moisés. Suas traduções do Latim são, às vezes, distorcidas por pré-conceitos. Os portais 41 ao 49 também contêm uma confusão original das ordens angelicais Cabalísticas pré-cristãs com as Hierarquias do quinto século do Pseudo-Dionísio</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Sepher Yetzirah de Westcott, 191l ev, 3ª Ed. &#8220;Os Cinqüenta Portais da Inteligência.&#8221;:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Junto com algumas edições do &#8220;Sepher Yetzirah&#8221; é encontrado este esquema de classificação Cabalística do conhecimento que emana da Segunda Sephirah Binah. Compreendendo e descendo através de estágios por anjos, céus, humanidade e reinos animal, vegetal e mineral para o Hyle e o caos. Os Cabalistas dizem que devemos entrar e passar pelos Portais para atingir os Trinta e Dois Caminhos da Sabedoria; e que, mesmo Moisés apenas atravessou até o quadragésimo-nono Portal, e nunca entrou no qüinquagésimo. Veja o &#8220;Oedipus AEgyptiacus&#8221; de Athanasius Kircher, vol.ii, pág. 319.</p>
</blockquote>



<div class="wp-block-uagb-tabs uagb-block-a2874d0c uagb-tabs__wrap uagb-tabs__hstyle1-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile" data-tab-active="0"><ul class="uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left" role="tablist"><li class="uagb-tab uagb-tabs__active" role="none"><a href="#uagb-tabs__tab0" class="uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left" data-tab="0" role="tab"><div>Tradução</div></a></li><li class="uagb-tab " role="none"><a href="#uagb-tabs__tab1" class="uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left" data-tab="1" role="tab"><div>Original</div></a></li></ul><div class="uagb-tabs__body-wrap">
<div class="wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0" aria-labelledby="uagb-tabs__tab0">
<h3 class="wp-block-heading">Primeira Ordem. Elementar.</h3>



<ol class="wp-block-list portas inicio-trad">
<li>Caos, Hyle (Chôra), a primeira matéria.</li>



<li>Sem forma, vazio, inanimado.</li>



<li>O Abismo.</li>



<li>Origem dos Elementos.</li>



<li>Terra (nenhum germe de semente).</li>



<li>água.</li>



<li>Ar.</li>



<li>Fogo.</li>



<li>Diferenciação das Qualidades.</li>



<li>Mistura e combinação.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Segunda Ordem. Década de Evolução</h3>



<ol start="11" class="wp-block-list portas">
<li>Os minerais se diferenciam.</li>



<li>Princípios vegetais aparecem.</li>



<li>As sementes germinam na umidade.</li>



<li>Ervas e árvores.</li>



<li>Frutificação na vida vegetal.</li>



<li>Origem das formas menos evoluídas de vida animal.</li>



<li>Insetos e Répteis aparecem.</li>



<li>Peixes, vida vertebrada nas águas.</li>



<li>Pássaros, vida vertebrada no ar.</li>



<li>Quadrúpedes, animais vertebrados da terra.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Terceira Ordem. Década da Humanidade.</h3>



<ol start="21" id="portas" class="wp-block-list portas">
<li>Aparecimento do Homem.</li>



<li>Corpo humano material.</li>



<li>A alma humana é conferida.</li>



<li>O mistério de Adão e Eva.</li>



<li>O Homem completo como o Microcosmo.</li>



<li>Dom de cinco faces humanas agindo exteriormente.</li>



<li>Dom de cinco poderes para a Alma.</li>



<li>Adam Kadmon, o Homem Divino.</li>



<li>Seres angelicais.</li>



<li>Homem à imagem de Deus.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Quarta ordem. Mundo das esferas.</h3>



<ol start="31" class="wp-block-list portas">
<li>A Lua.</li>



<li>Mercúrio.</li>



<li>Vênus.</li>



<li>Sol.</li>



<li>Marte.</li>



<li>Júpiter.</li>



<li>Saturno.</li>



<li>O Firmamento.</li>



<li>O Movimento Primeiro</li>



<li>O Céu do Firmamento</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Quinta Ordem. O mundo dos Anjos.</h3>



<ol start="41" class="wp-block-list portas">
<li>Ishim: os Filhos do Fogo.</li>



<li>Auphanim: Querubim.</li>



<li>Aralim: Tronos.</li>



<li>Chashmalim: Domínios.</li>



<li>Serafim: Virtudes.</li>



<li>Malakim: Poderes.</li>



<li>Elohim: Principados.</li>



<li>Beni Elohim: Anjos.</li>



<li>Querubim: Arcanjos.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Sexta Ordem. O Arquétipo.</h3>



<ol start="50" class="wp-block-list portas">
<li>Deus. Ain Soph. Aquele Que nunca viu nenhum olho mortal, e Que foi conhecido somente por Jesus, O Messias.</li>
</ol>
</div>



<div class="wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1" aria-labelledby="uagb-tabs__tab1">
<h3 class="wp-block-heading">Prima Classis. Elementorum primordiae. עולס הוכורוח.</h3>



<ol class="wp-block-list portas inicio-orig">
<li>Infima: Materia prima, Hyle, Chaos&nbsp;חוסר.</li>



<li>Vacuum &amp; inane, id est, formarum priuatio.</li>



<li>Appetitus naturalis, abyssus.</li>



<li>Elementorum discretio &amp; rudimenta.</li>



<li>Terrenum elementum nullis adhuc seminibus infectum.</li>



<li>Aquae elementum operiens terram.</li>



<li>Aeris ex aquarum abysso exhalantis elementum.</li>



<li>Ignis elementum fouens &amp; animans.</li>



<li>Qualitatum symbolizatio.</li>



<li>Appentitus earundem ad commistionem.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Classis Secunda. Mistorum Decas.</h3>



<ol start="11" class="wp-block-list portas">
<li>Mineralium, terra discooperta, apparitio.</li>



<li>Flores &amp; succi ad metallorum generationem ordinati.</li>



<li>Mare, Iacus, flumina intra alueos secreta.</li>



<li>Herbarum, arborumque, id est, vegetatiuae naturae productio.</li>



<li>Vires &amp; semina singulis indita.</li>



<li>Sensitinae naturae productio, id est,</li>



<li>Insectorum &amp; Reptilium.</li>



<li>Aquarilium — vna cum proprietatibus corundem.</li>



<li>Volucrium.</li>



<li>Quadrupedum procreatio.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Classis Tertia. Humanae Naturae Decas. עולם קטון, id est,&nbsp;Μικροκοσμος, Mundus minor.</h3>



<ol start="21" class="wp-block-list portas">
<li>בריאט האדם, Hominis productio.</li>



<li>עבר מן חאדמה, Limus terrae damascenae materia.</li>



<li>הנשמה ונפּש, Spiraculum vitae anima, siue.</li>



<li>וד האדם וחוה, Adami &amp; Euae mysterium.</li>



<li>האדם כלבו, Homo omnia, microcosmus.</li>



<li>חמשח כהוט הגשט, Quinque potentiae exteriores.</li>



<li>חמשה כהוט הנפּש, Quinque potentiae interiores.</li>



<li>האדם הוא שמים, Homo Coelum.</li>



<li>האדם הוא מלאכ, Homo Angelus.</li>



<li>האדם הוא דמוט האלהים, Homo Dei.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Classis Quarta. Continet Coelorum Ordines, &amp; vocantur ab Hebrais. עולם הגלגלים, id est, Mundus sphoerarum: qua sunt.</h3>



<ol start="31" class="wp-block-list portas">
<li>הגלגל הלבנה, Coelum Lunae.</li>



<li>הגלגל הכוכב, Coelum Mercurii.</li>



<li>הגלגל הנוגה, Coelum Veneris.</li>



<li>הגלגל השמש, Coelum Solis. (Hebraico corrigido)</li>



<li>הגלגל מאדים, Coelum Martis.</li>



<li>הגלגל צדק, Coelum Iouis.</li>



<li>הגלגל שבטאי, Coelum Saturni.</li>



<li>הגלגל הרקיע, Coelum firmamenti.</li>



<li>הגלגל גלגל ראשון, Coelum mobile.</li>



<li>הגלגל גלגל הלגים, Coelum Empyreum.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Classis Quinta. Nouem Angelorum Ordines continet, et vocatur&nbsp;עולם המלאכים, id est, Mundus Angelicus, ut sequitur.</h3>



<ol start="41" class="wp-block-list portas">
<li>חיות הקודש, Animalia sancta, Seraphini.</li>



<li>אופּנים, Ophanim, id est, Rotae, Cherubini.</li>



<li>אראלים, Angeli magni fortes, Throni.</li>



<li>חשמלים, Haschemalim, id est, Dominationes.</li>



<li>שרפּים, Seraphim, id est, Virtutes.</li>



<li>מלאכים, Malachim, id est, Potestates.</li>



<li>אלהים, Elohim, id est, Principatus.</li>



<li>בני אלהים, Ben Elohim, id est, Archangeli.</li>



<li>כרובים, Cherubin, id est, Angeli.</li>
</ol>



<h3 class="wp-block-heading">Classis Sexta. אין שופּ, Deus immensus.&nbsp;עולם עליון, Mundus supramundanus &amp; Archetypus.</h3>



<ol start="50" class="wp-block-list portas">
<li>Deus Optimus Maximus, quem mortalis homo non vidit, nec vllo mentis scrutinio penetrauit, estque quinquagesima porta, ad quam Moyses non pertigit.</li>
</ol>
</div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Nota: Os Anjos do Quinto Mundo ou Mundo Angelical são organizados em uma ordem muito diferente por vários Rabinos Cabalistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção conclui com a afirmação que só Jesus Cristo penetrou o qüinquagésimo portal; evidentemente uma interpolação de Kircher. Isto foi disposto no texto do portal por Westcott, obscurecendo o original.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não espanta que Crowley não tenha achado significado nos cinqüenta portais! Esta miscelânea, em parte cristianizada, não exibe um sistema claro. Aqui está uma reforma moderna:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>A escuridão do útero vazio.</li>



<li>A escuridão do útero fértil.</li>



<li>O feto cresce na escuridão.</li>



<li>O feto se move na escuridão.</li>



<li>Nascimento para a luz exterior.</li>



<li>Primeira respiração.</li>



<li>O cordão é cortado.</li>



<li>Primeira alimentação.</li>



<li>Primeiro sono.</li>



<li>A primeira abertura dos olhos.</li>



<li>A primeira percepção.</li>



<li>O primeiro sonho com o mundo exterior.</li>



<li>O primeiro ato deliberado.</li>



<li>O primeiro amor.</li>



<li>O poder de se mover pela vontade.</li>



<li>A primeira dor de amor.</li>



<li>O começo da fala.</li>



<li>A primeira resposta com compreensão da fala.</li>



<li>O poder para ficar de pé e caminhar.</li>



<li>O poder para separar segurança de perigo.</li>



<li>O comportamento cultural se inicia.</li>



<li>Controle das funções do corpo.</li>



<li>Aprendizagem e razão.</li>



<li>Puberdade.</li>



<li>O crescimento físico se interrompe — maioridade na sociedade.</li>



<li>Cultivo dos sentidos.</li>



<li>Expressão dos sentidos.</li>



<li>Consciência da existência espiritual.</li>



<li>A alma alcança além do espírito.</li>



<li>A alma age à parte do espírito corporal.</li>



<li>A alma vitaliza os sentidos.</li>



<li>A alma inspira os sonhos.</li>



<li>A alma ensina poderes racionais (cerimonial mágico).</li>



<li>A alma guia as emoções (mágica natural).</li>



<li>A alma rege o corpo e o espírito.</li>



<li>A alma guia para além do corpo.</li>



<li>A alma abençoa além do corpo.</li>



<li>A alma persiste sem o corpo.</li>



<li>A alma age sem o corpo.</li>



<li>A alma cresce sem o corpo.</li>



<li>A consciência do mundo é uma chama.</li>



<li>Tutela do mundo.</li>



<li>Tutela das almas.</li>



<li>Tutela dos Vigias.</li>



<li>Soberania — poder para representar o mais alto.</li>



<li>O poder de destruir pela grandeza.</li>



<li>O poder de preservar pela grandeza.</li>



<li>O poder de embutir grandeza.</li>



<li>A grandeza além da luz.</li>



<li>Ser eterno.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Os exemplos dos cinqüenta portais apresentados acima demonstram uma das duas formas principais dos portais do Entendimento. Estes primeiros dois exemplos são representativos da mais alta das duas formas e podem ser relacionados com o diagrama da árvore da Vida. De acordo com a Cabala de Krakovshy: A Luz da Redenção, páginas 155 a 157, portais 1 ao 10 são as dez Sephiroth de uma árvore que cresce dentro da conjunção de Malkuth-Yesod-Tiphereth de uma árvore maior. Assim, o portal 1 é Malkuth dentro de Malkuth-Yesod-Tiphereth. O portal 2 é Yesod dentro de Malkuth-Yesod-Tiphereth. Assim continua com o portal 10 sendo Kether dentro de Malkuth-Yesod-Tiphereth da maior.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Malkuth dentro de MALKUTH. Matéria inanimada.</li>



<li>Yesod dentro de MALKUTH. A matéria se diferencia em substâncias. Elementos.</li>



<li>Hod dentro de MALKUTH. São formadas as moléculas.</li>



<li>Netzah dentro de MALKUTH. Substâncias orgânicas aparecem.</li>



<li>Tiphereth dentro de MALKUTH. A vida primitiva aparece.</li>



<li>Geburah dentro de MALKUTH. A vida primitiva se reproduz em espécies.</li>



<li>Chesed dentro de MALKUTH. A evolução das espécies se inicia.</li>



<li>Malkuth dentro de YESOD. As criaturas interagem.</li>



<li>Yesod dentro de YESOD. As criaturas se tornam cientes da vida e do inanimado.</li>



<li>Hod dentro de YESOD. As criaturas evoluem defesas e armas.</li>



<li>Netzach dentro de YESOD. As criaturas se tornam sociais.</li>



<li>Tiphereth dentro de YESOD. As criaturas têm prazer inofensivo umas com as outras.</li>



<li>Geburah dentro de YESOD. As criaturas começam a se importar umas com as outras.</li>



<li>Chesed dentro de YESOD. A comida e outras necessidades são compartilhadas.</li>



<li>Malkuth dentro de HOD. Objetos são usados como ferramentas.</li>



<li>Yesod dentro de HOD. Os objetos são honrados.</li>



<li>Hod dentro de HOD. São feitas ferramentas.</li>



<li>Netzach dentro de HOD. As ferramentas e os abrigos são aperfeiçoados.</li>



<li>Tiphereth dentro de HOD. A feitura das ferramentas é ensinada.</li>



<li>Geburah dentro de HOD. Inicia-se o comércio.</li>



<li>Chesed dentro de HOD. As coisas não necessárias são mantidas para o futuro.</li>



<li>Malkuth dentro de NETZACH. Os objetos são admirados.</li>



<li>Yesod dentro de NETZACH. Os objetos são decorados.</li>



<li>Hod dentro de NETZACH. A decoração representa a natureza.</li>



<li>Netzach dentro de NETZACH. A natureza é influenciada pela decoração.</li>



<li>Tiphereth dentro de NETZACH. Os artistas são honrados.</li>



<li>Geburah dentro de NETZACH. O desenho parte da natureza.</li>



<li>Chesed dentro de NETZACH. Coleções de símbolos aparecem.</li>



<li>Malkuth dentro de TIPHERETH. As nações aparecem.</li>



<li>Yesod dentro de TIPHERETH. As nações reagem com nações.</li>



<li>Hod dentro de TIPHERETH. O comércio entre as nações começa.</li>



<li>Netzach dentro de TIPHERETH. As nações compartilham conhecimento.</li>



<li>Tiphereth dentro de TIPHERETH. Nações honram nações.</li>



<li>Geburah dentro de TIPHERETH. O ritual internacional é formalizado através da prática.</li>



<li>Chesed dentro de TIPHERETH. A comunidade da humanidade é reconhecida.</li>



<li>Malkuth dentro de GEBURAH. A história é inventada.</li>



<li>Yesod dentro de GEBURAH. O mito moral aparece.</li>



<li>Hod dentro de GEBURAH. O progresso é inventado.</li>



<li>Netzach dentro de GEBURAH. A evolução é honrada.</li>



<li>Tiphereth dentro de GEBURAH. A comunidade dos seres é reconhecida.</li>



<li>Geburah dentro de GEBURAH. São reconhecidas as obrigações para com a natureza não-humana.</li>



<li>Chesed dentro de GEBURAH. A abstração é celebrada como superior ao material.</li>



<li>Malkuth dentro de CHESED. A religião e o estado começam a se separar.</li>



<li>Yesod dentro de CHESED. As utopias são imaginadas.</li>



<li>Hod dentro de CHESED. A Religião se torna filosofia.</li>



<li>Netzach dentro de CHESED. Tolerância sobre as diferenças na filosofia aparece.</li>



<li>Tiphereth dentro de CHESED. Existencialismo, Positivismo e Teleologismo fundem-se.</li>



<li>Geburah dentro de CHESED. Identidade pessoal com abstração se torna a meta.</li>



<li>Chesed dentro de CHESED. A iluminação se torna a meta.</li>



<li>Binah. A iluminação é atingida.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Os Cinqüenta Portais do Entendimento também podem ser usados em meditação ritual. A segunda maneira para interpretar os cinqüenta portais (sob o Abismo) forma uma estrutura para uma confissão negativa assim como aquela achada no Livro Egípcio dos Mortos. Neste, são feitas sete declarações de pureza para cada uma das sete Sephiroth mais baixas. Estes não precisam ser memorizados, mas são feitos na hora pelo ritualista a cada vez. Cada declaração corresponde a uma Sephira dentro de cada uma das sete Sephiroth de acordo com o padrão mostrado anteriormente. Sete vezes sete são quarenta-e-nove declarações ao todo. Cada declaração tem que tomar a forma de uma negação de erro, correspondendo à combinação das Sephiroth. A profundidade e a qualidade da procura da alma das quarenta-e-nove verdades determinam o sucesso ou o fracasso. Quando o ritualista puder dizer todas as quarenta-e-nove declarações verdadeiramente, o qüinquagésimo portal se abrirá para dentro das Supernas através de Binah. Não é necessário que as declarações sejam precisas com respeito à vida cotidiana da pessoa. Este procedimento gradualmente formula um Eu Superior a partir da personalidade normal. A forma das declarações deve começar com &#8220;Eu não&#8230;&#8221; e concluir com uma negação de erro; por exemplo &#8220;Eu não enganei ninguém.&#8221; &#8220;Eu não menti para ninguém&#8221;, e assim por diante. Esta prática é dada com maior extensão na minha apostila Magia e Cabala #1, páginas 24 a 27.</p>
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		<title>A Arte da Vida</title>
		<link>https://quetzalcoatl-oto.org/a-arte-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aleister Crowley]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 18:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Magick]]></category>
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					<description><![CDATA[Faze o que tu queres será o todo da Lei. Agora, mais um ponto sobre o obeah e o wanga, o ato e a palavra da Magick. Magick é a arte de causar mudanças no fenômeno existente. Esta definição inclui erguer os mortos, enfeitiçar o gado, fazer chuva, conseguir bens, fascinar juizes, e todo o... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/a-arte-da-vida/">Leia mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Faze o que tu queres será o todo da Lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, mais um ponto sobre o obeah e o wanga, o ato e a palavra da Magick.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Magick é a arte de causar mudanças no fenômeno existente. Esta definição inclui erguer os mortos, enfeitiçar o gado, fazer chuva, conseguir bens, fascinar juizes, e todo o resto do programa. Bom: mas isto também inclui qualquer ato que seja? Sim; foi minha intenção que assim seja. Não é possível proferir palavra ou fazer algo sem produzir o exato efeito próprio e necessário a isto. Assim, Magick é a própria Arte da Vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Magick é o gerenciamento de tudo o que nós dizemos e fazemos, de forma que o efeito seja mudar esta parte de nosso ambiente que não nos satisfaz, até que o deixe de fazer. Nós o &#8220;re-modelamos próximo ao Desejo do Coração.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cerimônias mágickas propriamente ditas são apenas tentativas organizadas e concentradas de impor nossa Vontade em certas partes do Cosmos. Elas são apenas casos particulares da lei geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas tudo o que nós dizemos e fazemos, mesmo que casualmente, adiciona mais, muito mais, do que nossa mais tenazes Operações. &#8220;Cuide dos centavos, e os reais cuidarão de si mesmos.&#8221; Seu gotejar diário enche um balde maior do que seus geysers de esforço mágicko.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrem-se, também, que, a menos que vocês conheçam o que a sua verdadeira Vontade é, vocês podem estar devotando as mais louváveis energias para destruir a si mesmos. Lembrem-se de que cada palavra e ato é uma testemunha a considerar, que portanto sua mente deve estar perfeitamente organizada, seu único dever sendo interpretar as circunstãncias em termos da Vontade, para que a fala e a ação possam ser corretamente direcionadas para expressar a Vontade de acordo com a ocasião. Lembrem-se que toda palavra e ato que não são uma definitiva expressão da sua Vontade, contam contra ela, e a indiferença é pior do que a hostilidade. Seu inimigo ao menos está interessado em você: você pode torná-lo seu amigo como nunca poderia fazer com um neutro. Lembrem-se que Magick é a Arte da Vida, portanto, de causar mudança de acordo com a Vontade; portanto, sua lei é &#8220;amor sob vontade&#8221;, e seu mesmo movimento é um ato de amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrem-se que todo ato de &#8220;amor sob vontade&#8221; é legítimo como tal; mas quando qualquer ato não é direcionado a Nuit, que é aqui o inevitável resultado do trabalho todo, este ato é desperdício, e gera conflito dentro de você, de forma que &#8220;o reino de Deus que está dentro de você&#8221; é despedaçado pela guerra civil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o iniciante eu ofereceria este programa:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Abasteça sua mente o mais completamente possível com o conhecimento sobre como inspecioná-la e controlá-la.</li>



<li>Treine seu corpo para obedecer à sua mente, e não distrair sua atenção.</li>



<li>Controle sua mente para devotar-se totalmente à descoberta da sua verdadeira Vontade.</li>



<li>Explore o curso desta Vontade até você alcançar sua fonte, seu Eu Silencioso.</li>



<li>Una a vontade consciente com a verdadeira Vontade, e o Ego consciente com o Eu silencioso. Você deve ser completamente impiedoso ao descartar qualquer átomo de consciência que seja hostil ou neutro.</li>



<li>Deixe que isto opere livremente a partir de dentro, mas não dê atenção ao seu ambiente, para que não faça diferença entre uma coisa ou outra. O que quer que seja, é para ser feito um com você por Amor.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Amor é a lei, amor sob vontade.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">1321</post-id>	</item>
		<item>
		<title>(O)culto Feminino</title>
		<link>https://quetzalcoatl-oto.org/oculto-feminino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Frater H.H.A.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 16:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Magia Clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Magia Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Magick]]></category>
		<category><![CDATA[Paganismo]]></category>
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					<description><![CDATA[As histórias das ordens ocultistas e religiosas no ocidente marcam momentos significativos desta ou daquela escola de mistérios, grupos de fiéis irmãos, iniciados reconhecidos como iguais, no direito de compartilhar experiências secretas mágico-religiosas proibidas aos homens e mulheres desprovidos da sutil capacidade de compreender os mistérios entre o Céu e a Terra. Se por um... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/oculto-feminino/">Leia mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As histórias das ordens ocultistas e religiosas no ocidente marcam momentos significativos desta ou daquela escola de mistérios, grupos de fiéis irmãos, iniciados reconhecidos como iguais, no direito de compartilhar experiências secretas mágico-religiosas proibidas aos homens e mulheres desprovidos da sutil capacidade de compreender os mistérios entre o Céu e a Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se por um lado os homens (que ostentavam algum poder aquisitivo ou prestígio) possuíam cadeira cativa nesse processo gregário chamado ocultismo, as mulheres, por outro lado, foram deixadas como coadjuvantes anônimas da história. Parte da culpa deve-se aos rumos do cristianismo europeu, onde a criação das ordens Segunda ou ordens femininas dentro do catolicismo, pouco ou nenhuma expressão trouxe ao desenvolvimento da teologia e liturgia cristã, lugar esse atribuído aos homens da fé, que devotavam sua castidade em oferta a Deus e a Igreja. A missão de uma ordem Segunda era determinada pelo seu tamanho e pelo(a) santo(a) de devoção. Assim, a missão hospitalar, monástica, educacional e catequização foram algumas das práticas realizadas por tais mulheres em conventos, abadias ou comunidades católicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protestantismo não trouxe maiores mudanças ao lado feminino da balança. Com exceção das rainhas britânicas Elizabeth I e Vitória, o desempenho social e religioso das mulheres era parco, alegoricamente presas na visão fundamentalista da mulher educada para seu marido ou, em contrapartida, daquela que trazia o pecado carnal e a desgraça (financeira, principalmente). A responsável pela queda do Homem daquele paraíso primordial ou verdadeira desmoralização social, exemplificado nas pinturas do holandês Vermeer Von Delft.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O panorama social não mudou muito até a 2ª Revolução Industrial inglesa e, posteriormente, francesa, quando mulheres desempenhavam (por baixos salários) atividades antes masculinizadas, além do desenvolvimento dos transportes ferroviários e náuticos, permitindo as trocas comerciais favoráveis aos paises capitalistas e as culturais, surgindo um industria cultural de olho na mulher consumidora. O papel da mulher na sociedade industrial foi crescendo paulatinamente, em sociedades conflituosas com tais mudanças. A expansão inglesa e francesa reabriu caminho para o diálogo oriente-ocidente, sendo a primeira comparada a uma &#8220;senhora elegante, sábia e perigosamente misteriosa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O oriente precisava ser domado, destrinchado e reordenado pela cultura ocidental, a sociedade patriarcal cristã era o parâmetro para essa ordenação. Muitos curiosos, pesquisadores antropológicos, etnógrafos ou mesmo bon vivents partiam para a ásia a procura de expansão de merca do, além de mistérios alquímicos contados em lendas hindus e chinesas, a austeridade budista e o ópio. O expansionismo trouxe ao europeu o dilema de que era possível o desenvolvimento cultural por caminhos diferentes da história européia e, num dado momento, era possível lucrar com o exótico oriente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, três pensadores modernos questionaram os alicerces da sociedade moderna com a veemência revolucionária que faltava aos descontentes: primeiro Karl Marx e sua crítica histórica a sociedade fundamentada no capital; Sigmund Freud, com sua análise do Homem através do campo psicanalítico, abrindo caminho para o estudo do inconsciente como ciência médica; Friedrich Nietzsche e sua filosofia que rompe com a tradição socrática do Homem em relação à Verdade como sinônimo de realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A &#8220;Hermetic Order of Golden Dawn&#8221;, fundada em 1888 por MacGregor Matters, Willian R. Roodman e Wynn Westcott, reatava, inicialmente na Inglaterra, as inspirações de uma sociedade evolutiva através do conhecimento iniciático da antiguidade. Passaram por lá os célebres ocultistas Whaite, Aleister Crowley e Dion Fortune (Violet Mary Firth), essa última líder da &#8220;Society of the Inner Ligth&#8221;, também autora de vários livros sobre o assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As transformações sofridas pelas tensões na Europa na modernidade trouxeram uma outra, nossa contemporaneidade, cuja abertura das portas para a participação da mulher na vida pública se fizeram necessárias, passando ela a exercer assim, maior atividade econômica, cultural e ocultista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, as sociedades Rosa Cruz, inspiradas nos princípios originais do século XVII até os dias atuais, possuem em seu corpo de membros mulheres atuantes em seus papeis iniciáticos; já a Maçonaria, abre um tímido espaço para as Maçonarias Mistas, de caráter irregular (uma tendência não generalizada, porém um fato no século XX).</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Caminho do Feminino como Ciência Ocultista</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O desejo de ruptura da sociedade cristã e seus valores patriarcais encontrou eco em muitas correntes do pensamento europeu a partir do séc. XIX. Ansiava-se descobrir as origens do problema metafísico, redescobrir outras possibilidades não continuadas pela sociedade patriarcal da religião cristã, insurgindo assim muitas teorias em defesa de um passado matriarcal e sua problematização no contexto da época. Para isso, muitas correntes ocultistas retornavam ao mistérios do passado (mesmo não sendo) para instaurar uma tradição sólida e legitimada pela (estrábica) história. Foi assim com o neo-druidismo, o ocultismo egípcio e muitas tradições cabalistas e gnosticistas atribuídas a mestres ancestrais anteriores ao cristianismo. O passado poderia trazer força ao escopo de uma tradição, melhor ainda se este passado remontasse épocas imemoriais, anteriores a escrita.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] um novo matriarcado se anuncia [&#8230;] Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud — a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama</p>
<cite>Oswald de Andrade, in Manifesto Antropofágico</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">Wicca e o Duoteismo versus Monoteísmo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Gerald Gardner nasceu em Liverpool de 1883, foi funcionário da corte inglesa e viajou o mundo recolhendo informações que alimentassem sua paixão desde épocas mais joviais: o ocultismo. Consta que Gardner iniciou-se em algumas ordens conhecidas como a Maçonaria (no Ceilão), a ordem Rosa Cruz, a Golden Dawn e a O.T.O. de Aleister Crowley. Foi também membro da English Folclore Society, instituição presidida por sir Charles Godfrey Leland, renomado folclorista inglês a quem se atribui influência nos trabalhos de Gardner.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inquieto com sua aposentadoria prematura, Gardner passou a pesquisar aquilo que ele viria chamar de tradição da bruxaria britânica, oriunda nos celtas e preservada até os anos modernos. Essa teoria era de total desconhecimento e descrédito para a English Folclore Society, mesmo aceitando que a cultura pagã encontrara novos meios de conviver com o cristianismo, escamoteando-se em práticas familiares atemporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já nos anos de 1950, o autor publica o livro Witchcraft Today (Bruxaria Hoje), sucedendo seu livro High Magic&#8217;s Aid (Ajuda da Alta Magia), um romance esotérico segundo os próprios termos. As afirmações de que uma tradição duoteista (onde uma deusa feminina dividia seu culto com um deus masculino) preservada dos embates com o cristianismo, assim como segredos iniciáticos e ritualísticos contidos num misterioso grimório chamado de Book Of Shadows (Livro das Sombras), contribuíram no século XX para o estabelecimento de caminhos espirituais neo-pagãos da wicca (termo inaugurado por Gardner), somado ao revival do xamanismo, do druidismo e da stregheria. Práticas que se voltavam ao ciclo da natureza, alegorias alquímico-sexuais do encontro do princípio feminino (A Grande Mãe) com o masculino (o deus cornucópio) caracterizam a wicca como fenômeno ecológico, onde o papel desempenhado pelo humano é de co-participante dos mistérios da Mãe Terra (Gaya), e animista, onde os espíritos e deuses desse sistema fazem parte do reconhecimento das forças envolvidas e figuradas no que se refere a Natureza, onde o bruxo u a bruxo desempenha a manutenção dessas forças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na geração 60, com a crise do pós-guerra e uma Europa devastada, a América do Norte ganhou destaque junto ao fenômeno cultural e ocultista: a tradição européia foi exportada para o novo mundo. O feminismo crescente torneou a crise e eclipsou o caráter duoteista da wicca, excluindo de seus ritos e de sua convivência mágica qualquer presença masculina fosse simbólica ou mesmo literal, como acontecera na tradição Diânica, encabeçada por Zsuzannah Budapest. O papel nacional também modificou os ramos da wicca, passando a adquirir fenômenos locais de um panteísmo nórdico, em algumas tradições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a palavra wicca tem sido associada a jovens adolescentes atraídos pelo ocultismo da contracultura neo-pagã, crescendo como religião e sendo estetizada em toda mídia de propaganda (cinema, programa de tevê, música e Internet).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mme. Blavatsky e o Poder do Oriente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nascida em Ekaterinoslav (atual Dnepropetrovsk), Ucrânia de 1831, filha de militar e de escritora, Helena Blavatsky foi casada duas vezes, viajou pelo mundo e conheceu desde as peculiaridades dos monges budistas tibetanos até o cosmopolitismo crescente das cidades industrializadas do ocidente. Residiu em Nova York entre 1873 a 1878 (menos opulenta que Paris na época, mas em franca expansão comercial), vindo a morrer em Londres, em 1891.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fundou junto a Henry Steel Olcott e William Quan Judge (entre outros) a Sociedade Teosófica, cujas nítidas influências encontram-se no hinduismo e no budismo. Blavatsky dizia ter recebido conhecimento dos mestres secretos da Antiga Fraternidade Branca que lhe revelaram os alicerces da &#8220;Doutrina Secreta&#8221; e advertia sobre os perigos encontrados na prática do &#8220;Tantra Yoga&#8221;. Essa é uma passagem polêmica da vida desta personagem, sendo relida por pesquisadores da teosofia que, com senso crítico até onde é conveniente, ameniza ou anistia os excessos da mística ucraniana do século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas pesquisas, polêmicas ou não, tornaram-se legado para o que hoje é comum chamarmos de &#8220;Nova Era&#8221;, trazendo consigo o ímpeto pelo orientalismo mistificador opondo-se claramente à tradição esotérica européia, tendo em vista os planos que esta possuía para o futuro da Sociedade Teosófica. A participação de ambos os sexos era vista como processo natural do trabalho teosófico, mesmo sobre duras críticas direcionadas a uma líder espiritual mulher no século XIX. Tais divergências não impediram que as demais ordens como a Maçonaria, ordens Rosacruz entre outras adaptassem sua doutrina para o escopo de suas tradições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Publicou os livros &#8220;Isis sem Véu&#8221;, &#8220;A Doutrina Oculta&#8221;,entre outros (fontes indispensáveis para o estudo da Teosofia). Aleister Crowley possuía uma notável admiração por Blavatsky, sublinhando sua importância para as Ciências Ocultas com o título de &#8220;Mestre do Templo&#8221; (8º=3<sup>□</sup>, no sistema da Astrum Argentum).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sociedade teosófica abriu campo para alguns célebres personagens engajados em causas dos direitos humanos e na luta pela qualidade de vida sobre a Terra, como foi o caso da inglesa Anna Bonus Kingsford, uma das primeiras inglesas cientista no campo da física (depois de Elizabeth Garrett Anderson), membro fundadora e presidente em 1883 da Sociedade Teosófica no Reino Unido. Suas experiências místicas foram postumamente publicadas no livro &#8220;Clothed with the Sun&#8221;, organizado por Edward Maitland.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mulheres Escarlates — Uma breve história do feminino em Thelema.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se por um lado a história de Thelema se deva em grande parte à presença das mulheres próximas a Crowley e ativas nas ordens telêmicas (Astrum Argentum e a Ordo Templi Orinetis, maiores exemplos), a posição ocupada por cada uma delas, nesta ou naquela ocasião, não foi acrescida ou diminuída por atributos masculinos. Se algum mérito receberam, estas o alcançaram por seus próprios feitos e não por sexismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação existente entre a filosofia de Thelema e as mulheres se dá de maneira capital:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">..e em sua mulher chamada mulher escarlate está todo poder concedido.</p>
<cite>Liber AL vel Legis, Cap. I, Ves. 15</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O contato com esse atributo de poder personificado no feminino foi a procura da vida do profeta da Lei de Thelema, Aleister Crowley. Esse contato começou no advento do Livro da Lei, quando sua primeira esposa, Rose Edith Crowley (era Kelley), incita o jovem esposo (este, porem, reticente em todo processo) a receber as palavras sagradas do deus Hórus, em sua primeira viagem ao Egito. Crowley, pelo que consta, estava chocado com o estado de consciência de sua esposa, antes adversa à magia e de parco conhecimento ocultista que, no entanto, reportara-se como Ouada (Rosa em egípcio) e repetira frases enigmáticas como &#8220;eles estão esperando por você&#8221; ou &#8220;tudo isso é sobre a criança&#8221;. Ela trazia indícios de um evento que mudaria para sempre o ocultismo no ocidente, sendo a primeira Mulher Escarlate do profeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mago inglês e profeta da nova Lei, não se contentou apenas em receber do Livro da Lei, mas aprofundou-se ainda mais na procura dos &#8220;conhecimentos inspirados&#8221;, em primeira mão. Após a perda de seu primeiro filho e da separação de Rose Kelley, Crowley casou-se novamente e novamente provou da manifestação da deusa encarnada através de sua esposa, trazendo para a matéria àqueles mistérios mais elevados do Novo Eon, como relata as páginas introdutórias da 1ª Edição do Líber Aleph:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O progresso espiritual de Crowley de Magister Templi 8º.= 3<sup>□</sup> a Magus 9º = 2<sup>□</sup> abarcou o período de 1914 a 1919, correspondendo aproximadamente à sua viagem aos Estados Unidos. Ele foi auxiliado com o passar dos anos por uma série de mulheres, que ele comparava a dignitárias na cerimônia da sua iniciação. A maioria, se não todas, eram suas amantes, e como catalisadoras mágicas, adotaram nomes terimórficos: &#8220;A Gata&#8221; [Jeanne Foster/Sor. Hialrion], &#8220;A Cobra&#8221;, &#8220;O Cão&#8221;, &#8220;A Coruja&#8221;, &#8220;O macaco&#8221; (Leah Hirsig/ sor. Alostrael) , &#8220;O camelo&#8221; [Rhode Minor/ sor. Ahitha] e &#8220;O Dragão&#8221;[Marie Lavroff Rohling/ sor. Olun].</p>
<cite>Liber Aleph</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A forma como Crowley se relacionava com suas amantes e esposas foi (e ainda é) motivo de controvérsias no meio telêmico, não apenas por mulheres, mas aos olhos de homens que vivenciaram o século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria de Miramar (a segunda esposa), Leah Hirsing (a única que se manteve sã após findar o casamento) e muitas outras amantes que provaram da loucura, dos vícios e da insegurança da vida ao lado do &#8220;Pior Homem do Mundo&#8221;, compartilhando destinos miseráveis em comum, enlouqueceram, se entregaram ao vício ou cometeram suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crowley relata sua procura pela deusa Babalon que reside em cada mulher, sem distinção moral ou qualquer outra, embora negasse não fugir à visão reprimida de um inglês vitoriano em se tratando do sexo feminino, um resquício viciado de uma sociedade falocêntrica arcaizante. As experiências mágickas em prostíbulos ou espetáculos orgiásticos de magia sexual em Cefalú não trazem clareza crítica acerca da personagem do mago inglês e de suas Mulheres Escarlate, ao contrário, revelam a contradição existente no homem que escandalizou o velho mundo sendo ele mesmo tão retrógrado com relação ao sexo oposto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel desempenhado pelas mulheres na A.·.A.·.. ou na O.T.O. depois de Crowley, aponta outros caminhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a morte da &#8220;Grande Besta&#8221;, tanto a A..·.A..·.. quanto a O.T.O. passaram por momentos difíceis de reestruturação e de quase extinção por parte da liderança que se sucedeu, o O.H.O. e discípulo de Crowley na A.·.A.·., Karl Germer. A reestruturação dessas duas ordens se deu pelas mãos de remanescentes empenhados na reconstrução &#8220;da casa desordenada&#8221;. As mulheres tanto na A.·.A.·. quanto na O.T.O. são reconhecidas e lembradas pelo empenho heróico que significou a manutenção da tradição mágic(K)a de Thelema no Mundo em parceria com homens cujos propósitos se assemelham. Menciono abaixo algumas dessas mulheres que merecem nossa homenagem:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Regina Kahl:</strong>&nbsp;Foi iniciada na O.T.O., também primeira sacerdotisa da EGC, cuja missa inaugural foi realizada num domingo, 19 de março de 1933 junto a Wilfred T. Smith, na Loja ágape # 2, Califórnia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leila Waddell (LAYLAH ou Sor. Cibeles):</strong>&nbsp;Amante de Crowley, foi inspiração na criação do &#8220;The Book of Lies&#8221;, também foi talentosa violinista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Phyllis Seckler (Sor. Meral, IXº da O.T.O.):</strong> Falecida recentemente, foi membro tanto da O.T.O. quanto da A.·.A.·. Estruturou o Colégio de Thelema organizando informações e ensino do sistema da A.·.A.·. deixados por Crowley. Escreveu ensaios que estão disponíveis na Internet: &#8220;On Religion&#8221; e &#8220;Projections and the Shadow&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jane Wolfe (Sor. Estai):</strong>&nbsp;Atriz americana e uma das primeiras discípulas da A.·.A.·., residiu em Cefalú e se iniciou na O.T.O. na Loja Agape #2, na Califórnia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mary Butts (Sor. Rhodon):</strong>&nbsp;Escritora novelista, poeta, ensaísta e discípula de Aleister Crowley na A.·.A.·., residindo na Abadia de Cefalú.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Helena:</strong>&nbsp;Ex-Secretária Geral da Ordem, sua atuação enquanto mulher dentro do IHQ foi impecável e de um grande exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Shaitara:</strong> Ex Representante do Frater Superior no país, liderou a O.T.O. durante anos. Seus artigos são bastante discutidos e lidos no meio ocultista (telêmico ou não), mistura amabilidade e severidade sem conflitar consigo mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Nephytys:</strong> Antiga Secretária do Oásis Quetzalcoatl, desempenhou seu cargo com total desenvoltura e diplomacia, tanto dentro quanto fora do espaço da Ordem. Companheira inseparável de Fra. Horus Menthu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Astarte:</strong> Editora do jornal eletrônico eMagick, órgão divulgador de Thelema, pessoa responsável e severa, mas também brincalhona e generosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Vonah</strong>: Na Tesouraria do Oásis Quetzalcoatl mostrou sempre uma administração financeira eficiente e responsável, mas sempre com um toque generoso e cuidadoso para com todos os Irmãos e Irmãs em dificuldades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. F.</strong>: Condizindo a maestria do Acampamento Sub Lege Libertas, tem como característica sua doçura, mas sem deixar de equilibrá-la com a severidade quando se faz necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Atalanta</strong>: Antiga Mestra do Acampamento Opus Solis, foi a força que manteve o trabalho em Minas Gerais durante anos a fio com tenacidade e dedicação extremas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sor. Lotus</strong>: Antiga secretária do Acampamento Opus Solis sempre se mostrou uma força combativa e defensora da Ordem e seus princípios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas mulheres, entre outras tantas omitidas neste texto por falta de espaço, contribuem de modo ativo para o estabelecimento e divulgação da Lei de Thelema no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A todas elas o nosso mais fraterno agradecimento</p>
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		<item>
		<title>&#8220;Aiwass&#8221;, o Sagrado Anjo Guardião em Crowley</title>
		<link>https://quetzalcoatl-oto.org/aiwass-o-sagrado-anjo-guardiao-em-crowley/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Frater Lúcifer]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 15:38:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Magick]]></category>
		<category><![CDATA[Thelema]]></category>
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					<description><![CDATA[O Sagrado Anjo Guardião é o Eu Superior, em Tiphareth — Ele é a encarnação do Espírito Coletivo que emana das esferas superiores. Da mesma forma que não podemos ver a Luz do Pai senão através de seu reflexo na luz do Filho, não podemos compreender o Espírito Coletivo senão através dos produtores culturais —... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/aiwass-o-sagrado-anjo-guardiao-em-crowley/">Leia mais</a></div>]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">O Sagrado Anjo Guardião é o Eu Superior, em Tiphareth — Ele é a encarnação do Espírito Coletivo que emana das esferas superiores. Da mesma forma que não podemos ver a Luz do Pai senão através de seu reflexo na luz do Filho, não podemos compreender o Espírito Coletivo senão através dos produtores culturais — sacerdotes, artistas, filósofos, atores, etc&#8230; Não podemos compreender o Espírito Coletivo senão através do reflexo deste na luz de Tiphareth, que é onde acontece a inspiração artística do gênio. Não podemos compreender o Espírito Coletivo de uma época senão a partir da inspiração de Tiphareth, onde ouvimos a voz muda do Eu Superior, e onde contemplamos a luz ofuscante da manifestação do Pai. Mas aquele que assim ouve esta silenciosa voz que vem de dentro, ofuscado e cego, está como que morto para si mesmo e para o mundo, completamente absorvido no êxtase da inspiração ; a visão do eu inferior está ofuscada, os ouvidos do eu inferior estão silenciados — é ali que o Eu Superior fala, usando a personalidade e o corpo como se fosse uma marionete. A personalidade, o &#8220;eu inferior&#8221;, sua compreensão, sua visão e seus sentidos, jamais ultrapassam o véu que separa Netzach de Tiphareth. O fato de que Crowley tenha se identificado com &#8220;Aiwass&#8221;, &#8220;seu&#8221; Sagrado Anjo Guardião, não significa que Crowley seja o &#8220;seu&#8221; Sagrado Anjo Guardião. O nome &#8220;Edward Alexander Crowley&#8221;,&nbsp;<strong>na minha opinião pessoal</strong>, diz respeito a uma personalidade irresponsável, deselegante e desprezível. O &#8220;Aiwass&#8221;, entretanto, é um espírito sublime, resplandecente e iluminado, digno de respeito e admiração. Se Crowley se identificou com Aiwass, ele o fez da mesma forma que alguém se identifica com seu poeta preferido, mesmo embora o Livro da Lei contenha muito mais que beleza e poesia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele se identificou com Aiwass porque via neste o reflexo do espírito da Humanidade — ele se identificou com Aiwass por amor e admiração à divindade inerente ao sublime Conjunto Coletivo da Humanidade, ao ver Deus no Homem, ao ver Deus como o Homem, e ao ver Deus como toda a Humanidade, como aquele céu sublime e estrelado em que &#8220;cada homem e cada mulher é uma estrela&#8221;, e onde estamos, estivemos e estaremos todos nós — na profunda, deliciosa e terrível inconsciência de toda a Coletividade. Quando Crowley se identificou com Aiwass, se identificou em admiração à Luz daquilo que Aiwass meramente reflete. Assim como a luz visível de Tiphareth é apenas reflexo da Luz invisível de Kether, Aiwass é mero reflexo do Espírito da Humanidade, Aiwass não é nada senão apenas mero reflexo do Espírito da Humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Livro da Lei nós vemos sem ver, ofuscados, o Esplendor de Nuit, o esplendor do Céu Infinito Estrelado, onde cada homem e cada mulher é uma estrela — nós vemos o esplendor de toda a Humanidade, e <strong>não</strong> o esplendor de Aiwass. Mas vemos, também, as <strong>palavras</strong> usadas por Aiwass para refletir o esplendor de Nuit. Nós vemos as palavras de Aiwass, do espírito sublime encarnado, do Sol ofuscante, e <strong>não</strong> as palavras daquele alpinista inglês deselegante e irresponsável.</p>
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