<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Frater Ankh CL &#8211; Oásis Quetzalcoatl</title>
	<atom:link href="https://quetzalcoatl-oto.org/author/ankhcl/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://quetzalcoatl-oto.org</link>
	<description>Ordo Templi Orientis - Rio de Janeiro</description>
	<lastBuildDate>Thu, 28 Aug 2025 16:29:50 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://i0.wp.com/quetzalcoatl-oto.org/wp-content/uploads/2024/02/icone-quetzalcoatl.png?fit=32%2C32&#038;ssl=1</url>
	<title>Frater Ankh CL &#8211; Oásis Quetzalcoatl</title>
	<link>https://quetzalcoatl-oto.org</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">225073398</site>	<item>
		<title>A Breve Autópsia de Uma Quimera de Três Cabeças</title>
		<link>https://quetzalcoatl-oto.org/a-breve-autopsia-de-uma-quimera-de-tres-cabecas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Frater Ankh CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2025 15:50:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Thelema]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://quetzalcoatl-oto.org/?p=2311</guid>

					<description><![CDATA[Faze o que tu queres será o todo da Lei. Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos. Agostinho de Hipona... <div class="link-more"><a href="https://quetzalcoatl-oto.org/a-breve-autopsia-de-uma-quimera-de-tres-cabecas/">Leia mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Faze o que tu queres será o todo da Lei.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.</p>



<p class="autor-citacao">Agostinho de Hipona — &#8220;Comentário à Primeira Carta de João&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Certa vez, enquanto folheava &#8220;A Filosofia Perene&#8221; de Aldous Huxley, me deparei com essa frase de Santo Agostinho. Dificilmente o thelemita médio deixará de notar uma espantosa semelhaça entre ela e a Lei de Thelema. A Vontade e o Amor são pontos centrais, tanto em Thelema como na filosofia agostiniana. Além desse ponto de contato com Agostinho, há sua famosa auto-biografia chamada &#8220;Confissões&#8221;, cujo título, Crowley tomou, explicitamente, de caso pensado, para publicar também a sua própria — embora as associações subsequentes que faço aqui possam sem dúvida se tratar de meu próprio viés de confirmação, referências a Agostinho são evidentes na gênese de Thelema. Nada disso é por acaso, há convergências muito maiores na filosofia dos dois, como vou tentar demonstrar aqui.</p>



<p>Santo Agostinho, um dos ditos pais do Cristianismo Romano, foi um homem de interesses bem mundanos até a sua maturidade, porém, nunca deixou de debruçar-se sobre inquietações fundamentais da existência, como a problemática da existência do Mal. Notou a aparente contradição de um Deus bom que permite que o mal exista. Passou por algumas religiões buscando uma explicação teológica que o satisfizesse e, finalmente, encontrou a resposta: Deus, o Supremo Bem, é incapaz de fazer o Mal — dessa forma, o Mal existe porquê a vontade do homem é livre (a maioria de nós conhece a vontade livre pelo famoso termo &#8220;livre arbítrio&#8221;) e, munido deste supremo presente de Deus, o homem escolheu entregar-se cegamente a carne e aos sentidos que, por sua vez, se rebelaram contra o espírito, e assim, pela concupiscência no homem, abriu-se a porta para a existência do Mal no mundo.</p>



<p>Para Agostinho, a vontade não é má em si mesma. Pelo contrário, vontade é o motor do livre-arbítrio. É a faculdade que impulsiona a alma a agir e a tomar decisões. Agostinho via a vontade como o centro da vida moral e espiritual do ser humano. É a vontade, portanto, que escolhe o que o intelecto apresenta como bom ou mau. Porém, o desejo (<em>concupiscentia</em>), que é a manifestação da vontade corrompida pelo pecado original, aparece como impulso desordenado da alma em direção aos prazeres terrenos. No entanto, a vontade de um ser humano após o pecado original é dividida. Essa luta está descrita em sua auto-biografia &#8220;Confissões&#8221;, onde ele relata a sua própria batalha interna: &#8220;a vontade má fez nascer o desejo; e o desejo, consentido, fez nascer o hábito; e o hábito, não resistido, fez nascer a necessidade.&#8221; Essa dualidade na vontade é o cerne da tragédia humana: o ser humano quer fazer o bem, mas não tem a força para fazê-lo sozinho. A vontade e o desejo, quando não são dirigidos a Deus, levam à infelicidade e ao afastamento de Deus e a pessoa se torna escrava dos seus próprios desejos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Não há laço que possa unir o dividido senão amor</p>



<p class="autor-citacao">Liber AL vel Legis, Cap. I, Vers. 41</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Também, tomai vossa plenitude e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem vós quiserdes! Mas sempre para mim.</p>



<p class="autor-citacao">AL I:51</p>
</blockquote>



<p>Agora, vamos ao remédio agostiniano:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vontade humana precisa então ser restaurada e fortalecida pela graça divina. É a construção do que Agostinho chama de &#8220;boa vontade&#8221; (em oposição à &#8220;vontade má&#8221;, no sentido não vulgar do termo) Essa é a vontade que vem da graça divina, do contato com Deus &#8211; da ajuda de Deus que ilumina o intelecto e a fortalece. Sem a graça divina, a vontade humana é incapaz de se libertar da escravidão do pecado e do desejo desordenado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8230;os escravos servirão</p>



<p class="autor-citacao">AL II:58</p>
</blockquote>



<p>O homem deve, portanto, ter sua vontade restaurada, refinada e fortalecida, na forma dessa &#8220;boa vontade&#8221; em consonância com a vontade de Deus.</p>



<p>Soa familiar?  <em>Descoberta da Verdadeira Vontade? Conversação com o Sagrado Anjo Guardião? Seja feita a Tua Vontade? Faze o que Tu Queres?</em></p>



<p>Em resumo (Em Agostinho):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O Mal existe pela perversão do livre arbítrio ou livre vontade pelo homem, escravo de seus próprios desejos.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>A vontade humana deve ser restaurada, purificada e fortalecida, pelo contato com a graça divina, tornando-se assim a &#8220;boa vontade&#8221;, alinhada com a de Deus.</li>
</ul>



<p>Crowley, por sua vez, era um profundo conhecedor da Bíblia e dos Evangelhos. Então, creio que desprezar essas semelhanças com Agostinho como &#8220;meras coincidências&#8221; ou curiosidades sem valor possa ser uma super-simplificação, esvaziando de sentido algo muito mais profundo que merece criteriosa ponderação.</p>



<p>Por fim, penso que pode haver diversas razões para Crowley, de maneira tão obvia e evidente, ter referenciado tão diretamente Santo Agostinho em Thelema, as mais básicas, em minha humilde opinião:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pode, em Thelema, estar redendo homenagem e criando ou reformando sobre o corpo filosófico de Agostinho.</li>



<li>Pode estar escarnecendo de Agostinho, ao &#8220;recortar&#8221; trechos de sua filosofia para dilapida-la.</li>
</ul>



<p><em>Verdadeira Vontade</em> thelêmica, se manifesta pelo conhecimento e conversação com o Sagrado Anjo Guardião, a <em>Boa Vontade</em> agostiniana,  se manifesta pelo contato com Deus, pela graça divina e ao orientar seus desejos para Ele.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Se te agradam os corpos, louva a Deus neles, e dirige teu amor para teu artífice, para não o desagradar nas mesmas coisas que te agradam.</p>



<p class="autor-citacao">Agostinho de Hipona — &#8220;Confissões&#8221;</p>



<p>É minha opinião pessoal, ao menos: Crowley foi (também) um reformador religioso de inspiração claramente Agostiniana-Nietzscheana, (se é que se pode vislumbrar tão fantástica e improvável quimera vivendo nos bolsos do titio).</p>
</blockquote>



<p>A infame frase de Nietzsche sobre Deus estar morto, por exemplo, é uma crítica do que ele via como distorções pelas instituições humanas e igrejas. Não é uma afronta direta, em primeiro momento, à figura do Cristo. Fomos nós que o matamos, afinal, ao perverter os valores morais em favor da criação de instituições geridas por cínicos e hipócritas, na verdade, vazias de valores.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos!</p>



<p class="autor-citacao">Nietzsche, F. — &#8220;Gaia Ciência&#8221;</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>No fundo, existiu um único cristão, e este morreu na cruz.</p>



<p></p>
</blockquote>



<p class="autor-citacao">Nietzsche, F. — &#8220;O Anticristo&#8221;</p>



<p>Lembro aqui que a Bíblia também está cheia de passagens em que o próprio Jesus chama, com gosto, com raiva e com força, muitos sacerdotes de hipócritas — muitos até creditando a ele a destruição (e posterior reconstrução do templo).</p>



<p>No Liber 888, diz Crowley:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Minha única desculpa é que tenho uma qualificação muito especial, a saber, um conhecimento da Bíblia tão profundamente enraizado que dificilmente parecerá injusto dizer que formou todo o alicerce da minha mente.</p>
</blockquote>



<p>E ainda, no Liber 888:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Por outro lado, se o Novo Testamento for o documento composto que se afirma neste ensaio, <strong>sou o mais verdadeiro de todos os cristãos</strong>. Concordo com praticamente todas as palavras atribuídas ao Yogi Jesus, e quase todas as palavras do Essênio. É verdade que rejeito o Salvadorismo, e o elemento judaico das profecias cumpridas, e o louvor à Lei de Moisés; mas confio humildemente que qualquer deficiência nesses aspectos possa ser mais do que compensada por uma superabundância em outro. Pois não só considero o culto de John Barleycorn a única religião verdadeira, como restabeleci sua adoração; nos últimos três anos, filiais da minha organização surgiram em todo o mundo para celebrar o antigo rito. Que assim seja.</p>
</blockquote>



<p>Sobre a Missa Gnostica, no Equinócio Vol III edição de 1919, em seu Prospectus, Crowley diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Liber XV. de acordo com a Igreja Católica Gnóstica, que <strong>representa o cristianismo pré-cristão original e verdadeiro</strong>.</p>
</blockquote>



<p> Assim, eu, particularmente, creio que Crowley seja um verdadeiro erudito, grande conhecedor dos textos, das experiências, dos fenômenos religiosos e espirituais e um genuíno reformador — com inspiração profundamente cristã (no sentido real do termo). Então sim, para mim, há sinais discretos em sua obra de que ele rende homenagem ao <strong><em>cristianismo verdadeiro</em></strong> (seja lá o que isso for), o melhora e o retifica para o Novo Aeon. É um arauto e profeta verdadeiro da transvaloração nietzscheana e, por mais improvável que isto seja, valendo-se das armas de Santo Agostinho.</p>



<p>Será Agostinho um santo gnóstico algum dia?</p>



<p>Amor é a lei, amor sob vontade.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">2311</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
